A província de Maputo voltou a respirar de alívio depois de as autoridades do sector pecuário terem declarado o território livre de febre aftosa, na sequência de um surto que, no final do ano passado, provocou a morte de mais de 200 cabeças de gado bovino nos distritos de Magude, Moamba e Matutuine.
O surto, que colocou em alerta o sector agropecuário e milhares de criadores, obrigou o Governo a impor medidas imediatas, incluindo a interdição temporária da circulação e comercialização de animais, numa tentativa de travar a propagação da doença e proteger outras regiões do país.
De acordo com as autoridades ligadas à pecuária, a situação encontra-se agora controlada graças ao reforço de acções de vigilância e monitoria no terreno, com equipas técnicas destacadas para fiscalizar currais, acompanhar a evolução sanitária dos animais e avaliar o estado de saúde do gado antes de qualquer movimentação, sobretudo para fins de venda e abate.
A declaração de “Maputo livre” surge após semanas de controlo rigoroso e recolha de dados no terreno, numa operação que, segundo fontes do sector, evitou que a doença se expandisse para outros distritos e províncias.
Com a estabilização do cenário, o Governo prepara-se para lançar uma campanha de vacinação em massa, prevista para o final do mês de Abril, com o objectivo de reforçar a prevenção e evitar novos surtos.
Segundo o jornal Domingo, a campanha deverá abranger cerca de 390 mil bovinos, de um universo estimado em 412 mil cabeças, pertencentes a mais de 35 mil criadores, maioritariamente do sector familiar, considerado o mais vulnerável devido às limitações de recursos e infra-estruturas de criação.
Para além da febre aftosa, a campanha também prevê imunização contra carbúnculo hemático e carbúnculo sintomático, em função da espécie e idade dos animais, visando reforçar a sanidade do efectivo pecuário e proteger a produção de carne e leite na província.
Especialistas alertam que, apesar do controlo actual, a febre aftosa continua a ser uma ameaça recorrente no país, sobretudo em zonas onde há circulação irregular de gado e fraca fiscalização, sendo por isso fundamental manter vigilância permanente e vacinação regular.
O anúncio representa um sinal positivo para os criadores e para o mercado de carne bovina, que sofreu impacto directo com as restrições impostas durante o surto.
Fonte: Jornal Domingo / Autoridades do sector pecuário