O Governo moçambicano assegurou que a liquidação antecipada da dívida no valor de 630,1 milhões de dólares ao Fundo Monetário Internacional não terá impacto no funcionamento do Orçamento do Estado, afastando receios sobre eventuais pressões financeiras internas.
A garantia foi dada pela ministra das Finanças, Carla Louveira, que explicou que os recursos utilizados para o pagamento foram mobilizados a partir das reservas internacionais líquidas do Banco de Moçambique, não implicando qualquer alteração orçamental.
Segundo a governante, trata-se de fundos já disponíveis em instituições financeiras internacionais, o que significa que o Estado não teve de recorrer ao orçamento interno para cumprir esta obrigação. Dados do banco central indicam que as reservas internacionais estavam avaliadas em cerca de 4,1 mil milhões de dólares no início do ano, nível considerado suficiente para garantir estabilidade externa e cobrir vários meses de importações.
Com este pagamento, Moçambique elimina totalmente a sua dívida junto do FMI, passando a não ter qualquer obrigação pendente com a instituição, num universo de dezenas de países monitorados. Esta decisão poderá reforçar a credibilidade financeira do país e facilitar futuras negociações para novos apoios ou programas de financiamento.
Recorde-se que, no âmbito da Facilidade de Crédito Alargado, o FMI tinha aprovado em 2022 um pacote de cerca de 468 milhões de dólares para Moçambique, dos quais parte foi desembolsada antes da suspensão do programa em 2025. O calendário anterior previa reembolsos até 2029, cenário que deixa agora de existir com a liquidação antecipada da dívida.
A medida surge como um sinal de reposicionamento financeiro do país, numa altura em que o Governo procura reforçar a confiança dos parceiros internacionais e consolidar a estabilidade macroeconómica. |POR : Paula Nhampossa |