O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, e o presidente executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, participam hoje na cerimónia oficial de retoma do megaprojeto de gás natural liquefeito Mozambique LNG, na província de Cabo Delgado, quase cinco anos depois de a sua execução ter sido suspensa devido à insurgência terrorista na região.
O relançamento do projeto, que será presidido em Afungi, no distrito de Palma, é visto por analistas e autoridades como um marco estratégico para a economia nacional, reforçando a confiança de investidores internacionais no potencial energético, institucional e humano de Moçambique.
Importância económica e social
Segundo a Presidência da República, a retoma do Mozambique LNG deverá ter um impacto direto e significativo na criação de emprego, tanto na fase de construção como na de operação das infraestruturas. A iniciativa deve dinamizar o mercado de trabalho nacional e promover a capacitação profissional de moçambicanos, em particular em setores técnicos e especializados.
O Governo destaca também que o reinício das obras vai reforçar a posição de Moçambique como um hub energético regional e contribuir para consolidar o seu papel no mercado global de gás natural liquefeito (GNL).
Um projeto que enfrentou grandes desafios
O Mozambique LNG, estimado em cerca de 20 mil milhões de dólares, foi suspenso em abril de 2021 devido à deterioração da segurança em Cabo Delgado, onde grupos insurgentes ligados ao Estado Islâmico intensificaram ataques na região norte do país. Na altura, a TotalEnergies declarou a cláusula de força maior, paralisando a construção das instalações de liquefação de gás em Afungi.
Desde então, o Governo moçambicano e parceiros internacionais implementaram esforços para estabilizar a província, incluindo o reforço das capacidades de segurança com o apoio de forças regionais. À medida que as condições melhoraram, TotalEnergies começou negociações com o executivo moçambicano para permitir o retomar das atividades, culminando agora no relançamento do projeto. Falou a Aim News
O reinício das obras é visto como um sinal claro de confiança estrangeira no país, apesar dos desafios. A retoma do megaprojeto poderá ainda atrair mais investimentos no setor energético moçambicano, com empresas como a ExxonMobil a manifestarem interesse em avançar com projetos paralelos de gás, desde que a estabilidade e perspectivas de retorno sejam asseguradas.
Entretanto, especialistas alertam que o custo financeiro da paralisação prolongada foi elevado — estimando-se que a suspensão possa ter acrescentado cerca de 4,5 mil milhões de dólares em custos adicionais, refletindo os desafios causados pelo terrorismo e a necessidade de medidas de segurança reforçadas. Diz a ISS África
A retoma do Mozambique LNG, quase cinco anos após a interrupção forçada, representa um momento crucial para Moçambique — não apenas pela reativação de um dos maiores investimentos estrangeiros no país, mas também pelo potencial impacto na economia, na criação de emprego e na posição estratégica de Moçambique como fornecedor de energia no mercado internacional.
Este passo marca uma nova etapa no esforço do país para transformar os seus vastos recursos naturais em desenvolvimento sustentável e crescimento económico. (Vozafricano)