O Governo moçambicano tornou pública a lista das empresas autorizadas a exportar madeira de espécies nativas no âmbito da campanha florestal de 2026. No total, foram aprovados 16 operadores, distribuídos pelas províncias de Cabo Delgado, Sofala, Inhambane e Zambézia, num processo que volta a levantar dúvidas sobre os critérios de selecção e o nível de fiscalização no sector florestal.
O documento, datado de 19 de Março de 2026, é assinado por Imede Falume, director nacional de Florestas e Fauna Bravia, um nome que já foi associado a alegações e suspeitas ligadas à facilitação do contrabando de madeira, sobretudo nas províncias de Niassa e Cabo Delgado, regiões historicamente marcadas por denúncias de exploração ilegal de recursos florestais.
Entre as empresas autorizadas, destaca-se a S&M Services, Lda, com concessão florestal em Cabo Delgado. A empresa já tinha sido citada em denúncias por alegadamente exportar ilegalmente cerca de 4.334,70 metros cúbicos de madeira durante a campanha de 2025, ultrapassando a quota permitida de 3.000 metros cúbicos, o que reforça suspeitas sobre a capacidade real do Estado em controlar volumes de corte e exportação.
Outra empresa que levanta questionamentos é a Inther-Beira, Lda, criada em 2024, sendo que um dos seus sócios é referido como estando desaparecido desde 2016, um facto que aumenta a pressão sobre as autoridades quanto à verificação de legalidade e credibilidade dos intervenientes envolvidos no processo.
A divulgação oficial da lista reacende o debate sobre a transparência no sector florestal moçambicano, frequentemente apontado como um dos mais vulneráveis a irregularidades, corrupção e práticas ilegais, incluindo a exportação clandestina de madeira para mercados externos.
Fontes ligadas ao sector defendem que o país precisa de reforçar os mecanismos de fiscalização, tanto no controlo das quotas como na verificação da origem da madeira exportada, sob risco de comprometer a preservação ambiental e a sustentabilidade dos recursos naturais.
Nos últimos anos, Moçambique tem sido pressionado por organizações ambientais e parceiros internacionais para endurecer o combate ao abate ilegal e ao contrabando, sobretudo em regiões onde a actividade florestal se cruza com redes criminosas e fragilidade institucional.
Apesar da importância económica da madeira como fonte de receitas e emprego em várias províncias, especialistas alertam que a exploração sem controlo pode acelerar a destruição de ecossistemas e reduzir drasticamente as reservas florestais do país, colocando em risco o futuro do próprio sector.
A publicação da lista de 2026, assinada pela Direcção Nacional de Florestas e Fauna Bravia, abre agora espaço para maior escrutínio público sobre quem está autorizado a explorar e exportar madeira nativa e se o Estado está realmente preparado para garantir que as regras sejam cumpridas.
Fonte: MBC / Documento oficial datado de 19 de Março de 2026