As autoridades do Benim neutralizaram, na manhã de domingo (07), uma tentativa de golpe de Estado que colocou o país em alerta e expôs tensões internas dentro das forças armadas. A ação, liderada por um pequeno grupo de militares, envolveu a ocupação temporária da televisão pública e a divulgação de um comunicado anunciando a destituição do Presidente Patrice Talon.
Militares tomam televisão pública e anunciam “Comité da Refundação”
Segundo a Rádio França Internacional (RFI), o episódio começou com a invasão da estação pública BTV por militares que se identificaram como membros do “Comité Militar para a Refundação”. Durante a transmissão em direto, cercados por soldados armados, os insurgentes anunciaram que o Presidente Talon havia sido afastado e que o novo líder seria o tenente-coronel Pascal Tigri.
No entanto, o grupo não apresentou detalhes sobre os motivos da sublevação e tampouco demonstrou controlar infraestruturas estratégicas, como quartéis, ministérios, o palácio presidencial ou comunicações militares.
Tiros e movimentações estranhas em Cotonou
Ao longo da manhã, residentes da capital económica, Cotonou, relataram tiros esporádicos em zonas sensíveis, incluindo perto do porto e nas proximidades da Presidência da República. Helicópteros também sobrevoaram o bairro administrativo, aumentando a inquietação.
A embaixada de França confirmou ter recebido relatos sobre disparos nas imediações da residência de Patrice Talon e recomendou aos cidadãos franceses que permanecessem em casa até nova atualização das autoridades.
Exército regular retoma controlo e prende insurgentes
Fontes militares próximas ao Governo asseguraram que o movimento golpista foi conduzido por um “pequeno grupúsculo” e que o exército regular recuperou rapidamente o controlo da televisão pública e dos principais pontos da cidade.
A Presidência confirmou que Patrice Talon e a sua família estão em segurança, e que as tentativas de cercar a residência presidencial falharam. Ao início da tarde, pelo menos doze militares envolvidos na tentativa de golpe foram detidos.
Condenação internacional imediata
A União Africana (UA) reagiu rapidamente, condenando “firmemente e sem equívoco” a tentativa de golpe, apelando aos militares que regressem às casernas e respeitem a ordem constitucional.
A CEDEAO também deplorou o movimento, classificando-o de “ato inconstitucional” e reiterando a necessidade de se preservar a estabilidade democrática no Benim.
Contexto político: um país estável em região turbulenta
O Benim tem sido, nos últimos anos, uma exceção numa África Ocidental marcada por sucessivas rupturas político-militares. Contudo, o Presidente Patrice Talon, no poder desde 2016 e cujo mandato termina em abril de 2026, tem enfrentado críticas da oposição, sobretudo após as eleições legislativas de 2019, consideradas por vários observadores como restritivas.
Ainda assim, os avanços económicos alcançados durante o seu mandato são reconhecidos por diversos setores.
A tentativa falhada de domingo reacende preocupações sobre a infiltração de dissidências militares e sobre a crescente instabilidade regional, que continua a desafiar a segurança e a governabilidade no espaço oeste-africano.
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