Centenas de famílias afectadas pelas recentes inundações na província de Gaza acusam autoridades locais e alguns agentes da Polícia da República de Moçambique de alegado desvio de donativos destinados às vítimas das cheias.
O protesto teve início no Centro de Acomodação de Artes e Ofícios, na cidade de Xai-Xai, onde estão alojadas há cerca de um mês mais de 1.900 famílias que perderam as suas casas devido às inundações.
Segundo relatos citados pelo jornal O País, os manifestantes denunciam o desaparecimento de bens essenciais como roupas usadas, cobertores, bolachas e outros produtos destinados a crianças e idosos.
As vítimas afirmam que a situação agravou a vulnerabilidade no centro, onde continuam a enfrentar falta de alimentos, mantas e outros itens básicos, vivendo em condições consideradas críticas.
O porta-voz do Centro Operativo de Emergência em Xai-Xai, Marcelino Biza, reconheceu a possibilidade de desvios pontuais, mas garantiu que o caso está a ser investigado e rejeitou a existência de um esquema organizado.
Além das denúncias, os deslocados contestam ainda a decisão de encerramento do centro de acomodação prevista para os próximos dias, alegando que muitas zonas de origem continuam inundadas e sem condições de habitabilidade.
As cheias que atingiram Gaza deixaram milhares de famílias desalojadas, expondo fragilidades na gestão da ajuda humanitária e aumentando a pressão sobre as autoridades locais para respostas mais eficazes. (O país)