O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, considera que Moçambique sai da 46.ª Cimeira da SADC, realizada a 17 de Agosto, em Durban, África do Sul, com importantes ganhos políticos e estratégicos, sobretudo no que diz respeito ao apoio regional ao diálogo nacional inclusivo, ao combate ao terrorismo em Cabo Delgado e à integração económica.
No balanço da participação de Moçambique no encontro regional, Chapo destacou o compromisso dos Estados-membros em acelerar a agenda de integração e desenvolvimento da África Austral, através de medidas destinadas a fortalecer o crescimento económico e social da região.
Entre as decisões consideradas relevantes está a aceleração da operacionalização do Fundo de Desenvolvimento Regional da SADC, bem como a implementação do Plano Indicativo de Desenvolvimento Estratégico Regional 2020-2030 e da Estratégia de Industrialização da organização.
APOIO REGIONAL A MOÇAMBIQUE NO COMBATE AO TERRORISMO
A questão da segurança voltou a ocupar um espaço central na Cimeira. Os líderes da SADC reafirmaram que a paz e a estabilidade são condições fundamentais para o desenvolvimento sustentável da região.
Neste contexto, a organização saudou os esforços do Governo moçambicano no combate ao terrorismo em Cabo Delgado e reiterou a sua solidariedade e apoio a Moçambique.
Chapo destacou que a Cimeira permitiu reforçar a cooperação regional perante as ameaças à segurança e reafirmar o compromisso colectivo com a prevenção e resolução pacífica de conflitos.
DIÁLOGO NACIONAL INCLUSIVO GANHA APOIO
Outro ponto considerado importante pela delegação moçambicana foi o Diálogo Nacional Inclusivo.
Segundo o Presidente, Moçambique registou com satisfação as manifestações de apoio dos líderes da SADC ao processo, apresentado como parte dos esforços para consolidar a paz, a estabilidade e a reconciliação nacional.
A questão do diálogo surge num contexto em que o Governo procura fortalecer mecanismos de entendimento político e social no país.
MOÇAMBIQUE QUER APROVEITAR OS CORREDORES DE MAPUTO, BEIRA E NACALA
Na componente económica, Chapo destacou as oportunidades que Moçambique possui para assumir um papel estratégico no transporte de mercadorias na região.
O país poderá beneficiar da sua localização e das infra-estruturas associadas aos corredores de Maputo, Beira e Nacala, além dos portos e caminhos de ferro.
A Cimeira também abordou um estudo sobre a gestão do transporte em trânsito na região, uma área considerada estratégica para aumentar o comércio e a integração económica entre os países da SADC.
SEGURANÇA ALIMENTAR E RESPOSTA ÀS EMERGÊNCIAS
Moçambique defendeu igualmente o reforço da segurança alimentar e nutricional, da redução do risco de desastres e da resiliência climática.
Neste âmbito, o Presidente considerou estratégica a aceleração do funcionamento do Centro de Operações Humanitárias e de Emergência da SADC, localizado em Nacala-Porto, província de Nampula.
A estrutura deverá desempenhar um papel importante na prevenção e resposta regional a situações de emergência e calamidades naturais.
CHAPO LEVANTA PREOCUPAÇÃO COM VIOLÊNCIA CONTRA MOÇAMBICANOS NA ÁFRICA DO SUL
Durante a Cimeira, o Presidente moçambicano manifestou ainda preocupação com os recentes episódios de violência registados na África do Sul, particularmente pelos seus efeitos sobre cidadãos moçambicanos.
Chapo apelou ao reforço do papel da SADC na promoção de uma migração segura e ordenada e condenou actos de violência que afectem as relações entre os povos dos dois países.
À margem do encontro, o Presidente manteve uma reunião com o seu homólogo sul-africano, Cyril Ramaphosa, tendo os dois reafirmado o compromisso de aprofundar a cooperação bilateral, especialmente nas áreas económica e comercial.
NOVA LIDERANÇA DA SADC
A Cimeira procedeu ainda à renovação das lideranças dos principais órgãos da organização regional.
O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, foi eleito Presidente em exercício da SADC, enquanto o Rei de eSwatini, Mswati III, assumiu a Presidência do Órgão de Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança.
No balanço final, Daniel Chapo classificou a participação de Moçambique na 46.ª Cimeira como “bastante positiva”, defendendo que o encontro permitiu ao país apresentar e defender os seus interesses, ao mesmo tempo que contribuiu para o fortalecimento da cooperação regional. (Vozafricano)