Moçambique enfrenta uma crise silenciosa que continua a tirar vidas todos os anos. Mais de nove mil pessoas morrem anualmente devido ao consumo e à exposição ao fumo do tabaco, num cenário que preocupa autoridades e especialistas.
O alerta foi avançado pelo Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, durante a apresentação de uma proposta de lei na Assembleia da República que pretende reforçar o controlo do tabagismo no país.
Dados citados pelo Jornal Notícias indicam que o impacto do tabaco vai muito além da saúde pública, atingindo diretamente a economia nacional. O país perde cerca de 11,7 mil milhões de meticais por ano, valor que corresponde a aproximadamente 1,3% do Produto Interno Bruto.
Desse montante, cerca de 900 milhões de meticais são gastos em cuidados de saúde, enquanto mais de 10,8 mil milhões resultam de perdas indiretas, como mortes prematuras, incapacidade laboral e ausências frequentes no trabalho.
O tabaco é apontado como uma das principais causas de doença e morte no país, estando associado a problemas graves como cancro do pulmão e da boca, complicações na gravidez e casos de gangrena. Além disso, o fumo passivo continua a afectar milhares de pessoas que não consomem diretamente o produto.
Perante este cenário, o Governo pretende implementar medidas mais rigorosas para reduzir o consumo e proteger a população, incluindo a criação de espaços livres de fumo e maior controlo sobre a exposição ao tabaco.
Segundo o Executivo, a meta é salvar cerca de 53.400 vidas nos próximos 15 anos e reduzir significativamente o impacto económico associado ao tabagismo. A proposta está alinhada com recomendações da Organização Mundial da Saúde.
A iniciativa já foi discutida com diferentes sectores da sociedade, incluindo a Confederação das Associações Económicas de Moçambique, e deverá passar por um período de adaptação de 180 dias antes da implementação efetiva.
Apesar das medidas propostas, o desafio permanece: transformar as intenções em resultados concretos e travar uma crise que continua a custar milhares de vidas todos os anos em Moçambique. (POR : Paula Nhampossa)