O Governo de Moçambique reconheceu a existência de falhas na cadeia de distribuição de combustíveis, apesar de garantir que há produto disponível nos principais terminais do país.
De acordo com o comunicado que a direcção do Voz Africano teve acesso, as disfunções no abastecimento resultam de vários factores, incluindo a corrida aos postos, dificuldades financeiras de algumas distribuidoras e fortes indícios de açambarcamento.
Segundo o mesmo documento, as autoridades detectaram situações preocupantes em que parte do combustível levantado nos terminais não chegava integralmente aos tanques de certos postos, um caso que já está sob investigação para eventual responsabilização nos termos da lei.


O Executivo refere ainda que algumas distribuidoras alegaram dificuldades na obtenção de garantias bancárias em dólares. No entanto, após intervenção do Banco de Moçambique, foi constatado que algumas empresas se encontram descapitalizadas, sem condições reais para aceder a esses mecanismos financeiros.
Entre as medidas excepcionais adoptadas pelo Governo estão a autorização para postos adquirirem combustível fora dos contratos habituais, a extensão da validade das garantias bancárias e a proibição da reexportação de combustíveis. Ainda assim, mantém-se o transporte regular para países do hinterland a partir dos portos nacionais.
O comunicado indica também que os preços actuais poderão manter-se apenas até finais de Abril ou início de Maio, sendo esperada uma nova actualização devido ao aumento dos preços internacionais, influenciados pela instabilidade no Médio Oriente.
Face a este cenário, o Governo apela à racionalização do consumo, incentivando o uso de transportes públicos e até o recurso ao trabalho remoto como forma de adaptação ao novo contexto energético. (Produção: vozafricano)