Moçambique surge entre os destinos de um dos petroleiros que atravessaram o Estreito de Ormuz no último sábado, 18 de Abril, numa altura em que o país enfrenta pressão no abastecimento de combustíveis.
Segundo dados da Kpler, mais de 20 embarcações cruzaram aquela rota marítima — o número mais elevado desde 1 de Março — confirmando um aumento significativo no tráfego energético global numa das vias mais sensíveis do mundo, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.
Entre os navios identificados, dois petroleiros — o Akti A e o Athina — transportam produtos refinados provenientes do Bahrein, tendo como destinos Moçambique e Tailândia, respectivamente. Estes combustíveis já processados são considerados prontos para consumo.
Além destes, o navio Crave, com bandeira do Panamá, transporta gás liquefeito de petróleo (GLP) dos Emirados Árabes Unidos com destino à Indonésia. Outros três navios também carregavam GLP proveniente do Irão, com destinos como China e Índia.
A lista inclui ainda o Navig8 Macallister, que transporta cerca de 500 mil barris de nafta para Ulsan, o Fpmc C Lord com aproximadamente dois milhões de barris de petróleo bruto da Arábia Saudita para Mailiao, e o Desh Garima que segue para o Sri Lanka com cerca de 780 mil barris de crude.
Outras embarcações, como o Ruby, transportam fertilizantes do Qatar, enquanto o Merry M leva coque de petróleo da Arábia Saudita para Ravenna, evidenciando a diversidade de cargas energéticas e industriais que passam diariamente por esta rota.
A chegada de combustível a Moçambique ocorre num momento delicado, marcado por dificuldades no abastecimento interno, aumento das filas nos postos e pressão crescente sobre a rede de distribuição. Recentemente, o Governo recomendou a racionalização do consumo e admitiu uma possível subida dos preços já a partir de Maio, devido ao aumento das cotações internacionais.
Em comunicado, o Executivo garantiu que há combustível disponível no país, mas reconheceu que os custos de importação estão a subir, influenciados pela instabilidade no mercado global, sobretudo no Médio Oriente.
O intenso movimento de navios no Estreito de Ormuz reforça o papel crítico desta rota para o abastecimento energético mundial e evidencia como qualquer alteração naquela região pode ter impacto directo em países importadores como Moçambique.
Fonte: Reuters