Maputo viveu, esta sexta-feira, um momento de profunda comoção com a realização das cerimónias fúnebres de Luísa Diogo, antiga Primeira-Ministra de Moçambique e figura central da história política e económica do país. O último adeus aconteceu na capital, reunindo familiares, amigos, líderes políticos e representantes da sociedade civil, num ambiente marcado pela dor, mas também pelo reconhecimento de um legado singular.
As exéquias começaram logo pela manhã, com a missa de corpo presente na Igreja Santo António da Polana, celebrada pelo Arcebispo de Maputo, Dom João Carlos Nunes. O templo, que Luísa Diogo frequentava regularmente, acolheu centenas de pessoas que quiseram prestar homenagem a uma mulher descrita como profundamente crente, íntegra e comprometida com o serviço público.
Durante a cerimónia, o irmão da antiga governante, Lucílio Diogo, traçou um retrato íntimo e inspirador da sua trajetória, recordando a “Mana Ginha” da família — uma mulher de valores sólidos, forjados na fé cristã e no trabalho árduo desde a infância humilde, passada numa machamba de arroz. Sublinhou que Luísa Diogo provou que a determinação, a ética e a firmeza de princípios podem levar uma mulher moçambicana aos mais altos patamares de liderança nacional e internacional, tornando-se referência para a juventude e, em especial, para as mulheres.
A dimensão humana da antiga Primeira-Ministra voltou a ser destacada na intervenção de Hugo Diogo, em representação dos sobrinhos, que falou de uma tia educadora, generosa e exigente, sempre atenta à formação dos mais novos. Educação, honestidade, respeito e solidariedade foram apontados como valores que Luísa Diogo cultivou em casa e transportou para a vida pública.
No momento final da missa, os presentes levantaram-se, um a um, para uma vénia silenciosa, num gesto simbólico de gratidão à primeira mulher moçambicana a assumir o cargo de Primeira-Ministra. A arquidiocese recordou-a como uma mulher de fé ativa, dedicada às causas divinas e ao bem comum, reforçando a ideia de que a sua vida foi marcada pelo serviço e pela coerência entre palavras e ações.
As cerimónias contaram com a presença de antigos Presidentes da República, membros do Governo, representantes do corpo diplomático e diversas personalidades nacionais, refletindo a dimensão do impacto que Luísa Diogo teve na construção do Estado moçambicano.
Com o seu sepultamento, Moçambique despede-se de uma líder histórica, mas mantém vivo o exemplo de uma mulher que fez da integridade, do trabalho e do compromisso com o país a sua maior herança. (Vozafricano)