Angola voltou a enfrentar, nas últimas 24 horas, um cenário de destruição provocado por chuvas intensas que atingiram várias regiões do país, deixando um rasto de mortes, feridos e danos materiais de grande dimensão. Os números oficiais já colocam a situação como uma das mais graves registadas recentemente, levantando preocupações sobre a capacidade de resposta imediata e a vulnerabilidade das zonas urbanas e periféricas.
Segundo dados divulgados pelo Serviço de Proteção Civil e Bombeiros, foram confirmadas 15 mortes, com maior incidência na província de Benguela, onde perderam a vida 12 cidadãos, enquanto Luanda registou 3 óbitos. Além disso, 14 pessoas ficaram feridas, sendo 10 em Benguela, 1 no Huambo e 3 em Luanda, números que reforçam a dimensão do impacto e apontam para a força inesperada das enxurradas em áreas residenciais.
O quadro torna-se ainda mais alarmante com o registo de 5 desaparecidos, dos quais 3 em Luanda e 2 em Benguela, situação que mantém equipas em operações de busca, sobretudo em zonas onde a água arrastou estruturas frágeis e isolou bairros inteiros.
Em Luanda, a Comissão Provincial de Proteção Civil reportou a inundação de cerca de 4.180 habitações, revelando o colapso de vários pontos críticos da drenagem urbana. Além das casas alagadas, as chuvas causaram danos em infraestruturas consideradas essenciais, incluindo a destruição parcial de 2 postos elétricos, ruas completamente intransitáveis e residências comprometidas. Também foram registados impactos ambientais, com a queda de 5 árvores e o transbordo de 2 bacias de retenção, sinais claros de que a pressão da água ultrapassou a capacidade de contenção existente.
No terreno, equipas lideradas pelo Comandante Provincial de Luanda continuam a realizar o levantamento das áreas mais afetadas, com foco nos municípios de Mulenvos, Camama e Cacuaco, apontados como pontos críticos do episódio. A dimensão dos estragos, no entanto, levanta questões sobre a repetição do mesmo padrão: bairros inundados, infraestruturas frágeis e populações expostas a riscos previsíveis sempre que o volume de chuva aumenta.
Enquanto decorrem as operações de avaliação e socorro, cresce a expectativa pública por medidas urgentes e soluções estruturais, numa altura em que o país entra num período em que eventos climáticos extremos tendem a tornar-se cada vez mais frequentes.
Fontes: Serviço de Proteção Civil e Bombeiros de Angola; Comissão Provincial de Proteção Civil de Luanda.