As autoridades do Quénia iniciaram uma investigação urgente após a descoberta de uma vala comum com pelo menos 32 corpos no cemitério de Makaburini, localizado na cidade de Kericho, na região oeste do país. Entre os restos mortais encontrados estão sete adultos, 25 crianças, além de fetos e partes de corpos, num cenário que está a chocar a opinião pública.
A exumação foi realizada após a polícia obter uma ordem judicial para recuperar inicialmente 14 corpos. No entanto, durante os trabalhos, as equipas encontraram um número muito superior ao esperado, levantando suspeitas sobre a verdadeira dimensão do caso.
De acordo com o patologista forense do Governo, a situação é considerada fora do normal. Os corpos dos adultos apresentavam um estado avançado de decomposição, enquanto os das crianças estavam relativamente mais preservados, o que indica que as mortes podem ter ocorrido em momentos diferentes.
A investigação teve início após uma denúncia anónima, que levou as autoridades a escavar a área. Agora, os investigadores tentam perceber se se trata de enterros ilegais, possível negligência institucional, tráfico de corpos ou até práticas ligadas a redes criminosas ou rituais clandestinos.
O caso reacende memórias recentes no país, especialmente após o escândalo de Shakahola, onde centenas de corpos foram encontrados em 2023, ligados a um culto liderado por Paul Mackenzie. Na altura, mais de 400 vítimas foram desenterradas, muitas delas crianças, num dos piores episódios da história recente do país.
Embora ainda não exista uma ligação oficial entre os dois casos, as autoridades não descartam nenhuma hipótese. Equipas forenses continuam a trabalhar no local para identificar as vítimas e determinar as causas das mortes.
O Governo queniano promete uma investigação profunda para esclarecer o que realmente aconteceu, enquanto cresce a pressão pública por respostas rápidas num caso que levanta sérias questões sobre segurança, controlo institucional e possíveis redes ocultas no país. (POR : VozAfricano)