O Governo moçambicano enfrenta um défice de 68 milhões de dólares para assegurar todas as despesas do Recenseamento Geral da População e Habitação, um processo considerado vital para o planeamento estratégico do país. Embora o orçamento global esteja fixado em 110 milhões de dólares, apenas 42 milhões estão atualmente disponíveis, criando pressão sobre o Executivo numa fase decisiva de preparação.
A confirmação foi feita pelo porta-voz do Instituto Nacional de Estatística, Pedro Duce, que revelou que o Governo está a mobilizar recursos junto de parceiros para tentar colmatar o défice e evitar constrangimentos na execução do processo. Segundo explicou, além das limitações financeiras, persistem desafios logísticos, incluindo a falta de viaturas e motorizadas necessárias para garantir a deslocação das equipas de recenseadores por todo o território nacional.
O responsável admitiu que os custos tendem a aumentar significativamente à medida que o processo avança, sobretudo durante a fase de trabalho de campo, quando brigadas serão enviadas para diferentes pontos do país. Ainda assim, garantiu que algumas áreas já têm financiamento assegurado, como a cartografia, avaliada em cerca de 12 milhões de dólares e suportada pelo Banco Mundial, cuja implementação já teve início.
Previsto para decorrer em agosto do próximo ano, o recenseamento é visto como uma operação crucial para recolher dados atualizados sobre a população e as condições habitacionais, informações que irão orientar decisões económicas e sociais nos próximos anos. Contudo, a falta de financiamento levanta incertezas sobre a capacidade do Estado em executar o processo com a abrangência e qualidade necessárias, numa altura em que o tempo para garantir os recursos continua a diminuir. (RM)