O custo de vida em Moçambique registou um novo aumento no primeiro mês de 2026, acentuando as preocupações das famílias face à crescente pressão sobre o orçamento doméstico. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que os preços subiram 1,26% em janeiro comparativamente a dezembro de 2025. Em termos anuais, a inflação fixou-se em 3,04% quando comparada com janeiro do ano passado.
Embora o número possa parecer moderado à primeira vista, o impacto é sentido diretamente no consumo diário. Uma cesta básica avaliada em 15.000 meticais no final de 2025 passou a custar 15.189 meticais em janeiro. Já na comparação anual, o mesmo conjunto de bens apresenta um encarecimento ainda mais expressivo, refletindo a tendência acumulada de aumento de preços ao longo dos últimos doze meses.
Alimentação volta a liderar subida de preços
O principal motor da inflação mensal foi o grupo de produtos alimentares e bebidas não alcoólicas, responsável por quase um ponto percentual da variação total. A alimentação continua a ser o segmento que mais pesa na estrutura de despesas das famílias moçambicanas, sobretudo nas zonas urbanas e periurbanas.
Entre os produtos que mais encareceram destacam-se bens essenciais do dia a dia. O tomate subiu 16,3%, enquanto o coco registou um aumento expressivo de 53%. A couve encareceu 17,2%, a cebola 14,8% e a alface 29,6%. O carvão vegetal, amplamente utilizado para cozinhar em muitas residências, subiu 9,2%, e o peixe seco teve um acréscimo de 3,4%.
Especialistas apontam que a combinação de fatores sazonais, dificuldades logísticas e perturbações no transporte contribuíram para essa escalada de preços, particularmente em produtos hortícolas sensíveis às condições climáticas.
Produtos que registaram descidas
Apesar da tendência geral de aumento, alguns itens apresentaram reduções de preço, ajudando a conter uma subida ainda mais acentuada. A galinha viva teve uma descida de 2,3%, enquanto o limão caiu significativamente, cerca de 34,6%. Também se registaram reduções no preço do frango em pedaços, camarão fresco e manga.
Serviços como cortes de cabelo e barba também mostraram ligeira redução, indicando que nem todos os setores seguiram a mesma trajetória de alta.
Restaurantes e hotelaria impulsionam inflação anual
Na análise da variação anual, o setor de restaurantes, hotéis e cafés destacou-se como o que mais contribuiu para o aumento acumulado, com uma subida superior a 6%. Este crescimento reflete o aumento dos custos operacionais, incluindo matérias-primas, energia e transporte, que acabam por ser transferidos para o consumidor final.
A alimentação e bebidas não alcoólicas mantiveram igualmente um peso significativo na inflação anual, reforçando a sensibilidade do mercado interno a flutuações nos preços de bens essenciais.
Impacto regional: Xai-Xai lidera aumentos
A nível regional, todas as áreas monitoradas registaram aumento de preços em janeiro. A cidade de Xai-Xai apresentou a maior variação mensal, com 4,03%. O aumento está associado às cheias e inundações recentes que afetaram vias de acesso e dificultaram o abastecimento regular de produtos.
Outras cidades como Inhambane, Chimoio e Maputo também registaram aumentos relevantes, embora em níveis mais moderados.
Perspectivas para os próximos meses
Economistas alertam que, embora a inflação anual ainda se mantenha abaixo de níveis críticos, a tendência de subida no início do ano pode pressionar a política monetária e afetar o poder de compra das famílias, especialmente as de rendimento mais baixo.
O comportamento dos preços nos próximos meses dependerá de fatores como estabilidade climática, custos de transporte, disponibilidade de produtos agrícolas e evolução do mercado internacional.
Para as famílias moçambicanas, o desafio imediato continua a ser ajustar o orçamento num cenário em que os produtos básicos continuam a absorver uma fatia crescente do rendimento mensal (vozafricano)
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