Centenas de trabalhadores angolanos marcharam esta sexta-feira (1), na cidade de Luanda, em protesto contra os salários baixos, condições de trabalho precárias e o que consideram ser uma realidade de injustiça laboral que afecta milhares de famílias no país.
A manifestação ocorreu no âmbito das celebrações do 1.º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, e foi marcada por cânticos e palavras de ordem exigindo remuneração justa, combate aos abusos dos empregadores e melhores garantias sociais tanto no sector público como no privado.
Segundo reportou a agência Lusa, a marcha contou com a participação de trabalhadores ligados a várias áreas, que pediram igualmente o fim de despedimentos considerados injustos e maior intervenção do Estado para garantir respeito pelas leis laborais.
Num manifesto conjunto, as principais centrais sindicais de Angola — UNTA-CS (União Nacional dos Trabalhadores Angolanos – Confederação Sindical), CGSILA (Central Geral dos Sindicatos Independentes e Livres de Angola) e Força Sindical (FS) — apelaram ao Governo para adoptar políticas públicas mais inclusivas e eficazes no sector laboral.
As organizações exigem que o diálogo social e a concertação tripartida entre Governo, empregadores e sindicatos seja contínua e produza resultados concretos, sobretudo em matérias relacionadas com emprego seguro, salários actualizados e protecção social.
Durante a leitura do manifesto, a secretária-geral adjunta da UNTA-CS, Helena França, defendeu igualdade de tratamento entre trabalhadores nacionais e estrangeiros, apontando desigualdades salariais e condições mais favoráveis oferecidas a expatriados.
“Pedimos também igualdade de tratamento dos trabalhadores nacionais relativamente aos expatriados quanto à remuneração e condições de trabalho justas”, afirmou Helena França.
As centrais sindicais exigiram igualmente maior eficácia dos órgãos de inspecção laboral, alegando que existem inúmeras violações das normas de contratação e manutenção do emprego, muitas delas sem punição para os empregadores.
Entre as exigências apresentadas constam ainda melhorias na segurança e saúde no trabalho, respeito pelos direitos em contratos laborais e medidas urgentes contra despedimentos massivos de trabalhadores.
O secretário-geral da CGSILA, Francisco Jacinto, foi um dos mais críticos, afirmando que o trabalhador angolano está a transformar-se num “pedinte”, devido ao baixo salário que recebe e ao custo elevado de vida no país.
“Hoje os trabalhadores angolanos encontram-se numa situação de pedinte e isso abrange todos os sectores da economia nacional”, disse Jacinto, acrescentando que até o sector da comunicação social enfrenta dificuldades graves, com salários estagnados há mais de três anos.
O sindicalista defendeu ainda que Angola possui recursos naturais suficientes para garantir melhores condições de vida aos cidadãos, mas criticou o que chamou de má distribuição da renda nacional.
Em reacção às manifestações, o Presidente de Angola, João Lourenço, reconheceu o papel essencial dos trabalhadores no desenvolvimento do país e afirmou que o Executivo tem feito esforços para melhorar as condições de vida, apesar das dificuldades económicas.
Numa mensagem alusiva ao 1.º de Maio, João Lourenço destacou que os trabalhadores são a base produtiva e o pilar central do funcionamento da sociedade, devendo ser respeitados e valorizados.
O protesto em Luanda volta a expor a tensão crescente entre sindicatos e Governo, num contexto em que a inflação e o custo de vida continuam a pressionar as famílias angolanas, enquanto o país enfrenta desafios para transformar a riqueza mineral em melhorias reais para a população.
Fonte: Lusa