A crise interna na Renamo continua a intensificar-se, com membros da província de Maputo a defenderem a renúncia imediata do presidente do partido, Ossufo Momade.
A posição foi tornada pública por António Muchanga, membro sénior da formação política e porta-voz do grupo, durante uma conferência de imprensa convocada para reagir às decisões tomadas na recente reunião de membros e generais realizada na província de Manica.
“Ele tem de sair já”, declarou Muchanga, acrescentando que o próprio líder pode evitar maior tensão interna ao optar por uma demissão voluntária. “Ele pode fazer isso sem precisar de ser empurrado”, afirmou.
CONTESTAÇÃO GANHA FORÇA DENTRO DO PARTIDO
Nos últimos meses, a liderança de Momade tem sido alvo de críticas crescentes dentro da Renamo, sobretudo após os resultados das últimas eleições, que resultaram na perda de assentos na Assembleia da República e na retirada do estatuto de maior partido da oposição.
De acordo com Muchanga, a permanência de Momade na liderança está a afectar directamente a confiança dos parceiros de cooperação. “Enquanto a Renamo continuar com Ossufo Momade, os parceiros não vão financiar actividades do partido”, alertou.
ATRASOS E PROMESSAS NÃO CUMPRIDAS AGRAVAM TENSÃO
Outro ponto de crítica está relacionado com a não realização do Conselho Nacional, considerado fundamental para a tomada de decisões internas. Segundo Muchanga, o encontro foi prometido para Março de 2025, mas até agora não se concretizou.
A situação está a alimentar o descontentamento entre os membros, que exigem mudanças urgentes na direcção do partido para evitar um agravamento da crise interna.
Analistas consideram que a pressão pública vinda de Maputo pode marcar um novo capítulo na disputa interna da Renamo, colocando ainda mais incerteza sobre o futuro da liderança de Ossufo Momade. (Paula nhampossa)