A produção de grafite em Moçambique registou uma recuperação expressiva em 2025, atingindo 67 mil toneladas, um crescimento que praticamente duplica os níveis do ano anterior e volta a colocar o país no radar da indústria global de energias limpas.
Dados oficiais indicam que o volume representa um aumento de 92% face às 34,8 mil toneladas produzidas em 2024, superando largamente a meta prevista. O desempenho surge num momento em que a procura internacional por matérias-primas para baterias continua a acelerar, impulsionada pela expansão dos veículos eléctricos.
Recuperação após um período de forte queda
O crescimento acontece após um ciclo de instabilidade que afectou o sector mineiro nacional. Em 2024, a produção tinha registado uma quebra acentuada, influenciada pela paralisação de operações e constrangimentos logísticos, sobretudo no norte do país.
Parte dessas dificuldades esteve associada à suspensão temporária de actividades em importantes projectos mineiros, incluindo operações em Cabo Delgado, afectadas por factores sociais e operacionais. Ainda assim, o sector demonstrou capacidade de recuperação ao longo de 2025.
Balama volta a impulsionar produção
A retoma da actividade na mina de Balama — considerada uma das maiores reservas de grafite do mundo — foi determinante para o aumento da produção. Operada pela Syrah Resources, a infra-estrutura voltou a exportar grafite após meses de interrupção.
No terceiro trimestre de 2025, foram produzidas cerca de 26 mil toneladas, com exportações a atingirem 24 mil toneladas, reflectindo uma normalização gradual das operações e do fornecimento aos mercados internacionais.
Novo impulso industrial no Norte
Outro sinal de mudança no sector é o avanço da industrialização. A inauguração de uma nova unidade de processamento na província do Niassa, liderada pelo Presidente Daniel Chapo, introduz uma nova etapa na cadeia de valor do grafite.
Avaliada em cerca de 200 milhões de dólares, a infra-estrutura tem capacidade para produzir até 200 mil toneladas por ano e aposta na transformação do grafite em material de maior valor, essencial para baterias de alta performance.
O projecto poderá ainda gerar mais de 2.000 empregos, reduzindo a dependência da exportação de matéria-prima bruta e aumentando a retenção de valor dentro do país.
Entre desafios e oportunidade estratégica
Apesar da recuperação, o sector continua exposto a riscos, incluindo instabilidade social, dependência de mercados externos e interrupções operacionais. Ainda assim, o crescimento registado em 2025 sugere uma reconfiguração estratégica.
Num contexto global marcado pela transição energética, Moçambique começa a consolidar-se como fornecedor relevante de grafite — um recurso crítico para o futuro da mobilidade eléctrica. (Equipe Vozafricano)