O líder da Renamo, Ossufo Momade, poderá abandonar a presidência do partido ainda este ano, num contexto marcado por forte contestação interna e crescente divisão entre os membros.
A informação foi avançada por Hermínio Morais, durante um encontro de generais e oficiais superiores realizado na cidade de Chimoio, com o objectivo de restaurar o diálogo e evitar o agravamento da crise dentro da formação política.
Segundo Morais, Momade já manifestou a intenção de não voltar a candidatar-se à liderança, reforçando que pretende deixar o cargo ainda em 2026. “São palavras de Ossufo Momade. Ele não será candidato e quer sair este ano”, afirmou o porta-voz, citado pela imprensa nacional.
O encontro em Chimoio também serviu para apelar à reabertura das sedes do partido, algumas das quais foram encerradas devido aos conflitos internos. “Optámos pelo diálogo para garantir que as sedes voltem a funcionar normalmente e que haja entendimento entre os membros”, acrescentou Morais.
CONTESTAÇÃO E DIVISÃO AGRAVAM CRISE
Nos últimos meses, a liderança de Momade tem sido alvo de críticas por parte de antigos guerrilheiros e membros influentes do partido, que o acusam de má gestão e exigem mudanças profundas na direcção da Renamo.
Em várias regiões do país, o clima de tensão já resultou em confrontos físicos entre membros, além da destruição de materiais do partido, incluindo camisetes e símbolos com a imagem do actual líder.
A situação interna tornou-se ainda mais delicada com a expulsão de António Muchanga, uma figura sénior do partido, após este demonstrar apoio aos grupos que defendem a saída de Momade.
CONGRESSO PODE DECIDIR FUTURO DO PARTIDO
Perante este cenário, a realização de um congresso ainda este ano é vista como decisiva para definir o futuro da Renamo. Antes disso, o partido deverá convocar uma reunião do Conselho Nacional, onde serão discutidos os próximos passos.
Analistas consideram que este momento pode marcar uma viragem histórica para o maior partido da oposição moçambicana, que enfrenta uma das suas maiores crises internas desde a morte do antigo líder Afonso Dhlakama. _o país