ONU Calcula Necessidade de 348 Milhões de Dólares Para Apoiar Vítimas da Insurgência no Norte de Moçambique
As Nações Unidas estimam que serão necessários cerca de 348 milhões de dólares para garantir assistência humanitária às populações afectadas pela insurgência armada que continua a atingir o Norte de Moçambique, com maior incidência na província de Cabo Delgado.
Os dados constam do Plano de Necessidades e Resposta Humanitária para 2026, elaborado pelo Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e citado pelo jornal Savana, que aponta Cabo Delgado, Nampula e Niassa como as principais províncias abrangidas pelo apoio emergencial.
Segundo o documento, o valor estimado destina-se a responder às necessidades consideradas mais urgentes em distritos directamente afectados pelo conflito. Em Cabo Delgado, quase todos os 17 distritos apresentam impacto directo ou indirecto da violência armada. Já em Nampula, o plano abrange dois distritos, enquanto Niassa surge com um distrito incluído nas áreas sinalizadas.
O relatório indica que 1,1 milhão de pessoas necessitam de assistência humanitária em 2026, sendo que 919 mil foram classificadas como prioridade máxima. Esse estatuto, segundo a OCHA, aplica-se sobretudo a quatro distritos de Cabo Delgado situados nas regiões centro e norte da província: Muidumbe, Macomia, Quissanga e Nangade, onde a vulnerabilidade continua elevada devido ao deslocamento interno, destruição de infra-estruturas e insegurança persistente.
Além destes, o plano refere outros distritos igualmente sinalizados para apoio urgente, incluindo Mueda, Ibo, Mocímboa da Praia e Chiure, perfazendo um total de pelo menos 14 distritos que continuam a exigir intervenção humanitária significativa.
Apesar das limitações financeiras, a OCHA afirma que, até ao final de Fevereiro de 2026, a comunidade humanitária conseguiu prestar assistência a cerca de 314 mil pessoas, o equivalente a 26% do total de necessitados. A maior parte desse apoio foi canalizada através de parceiros ligados à segurança alimentar e meios de subsistência, sectores considerados críticos para evitar o agravamento da fome e da pobreza nas zonas afectadas.
O documento refere ainda que, excluindo a assistência alimentar, apenas 148 mil pessoas receberam apoio multissetorial em áreas como saúde, protecção, água, saneamento e higiene, além de abrigo. A OCHA destaca também que 73 mil crianças tiveram acesso a serviços essenciais relacionados com educação, nutrição e protecção infantil.
A operação humanitária continua fortemente dependente do trabalho de organizações não-governamentais. Segundo o relatório, cerca de 76% das entidades executantes envolvidas na resposta à crise são ONGs internacionais e nacionais, responsáveis por grande parte da implementação directa no terreno.
Quanto ao financiamento, o plano aponta que os doadores contribuíram com 103,6 milhões de dólares para programas humanitários ligados ao conflito, mas o défice permanece elevado e pode comprometer a continuidade das intervenções em 2026.
A situação torna-se ainda mais crítica devido a outras emergências paralelas. A OCHA alerta que são necessários mais 187 milhões de dólares adicionais para um aditamento relacionado com as inundações no Sul de Moçambique, que afectaram cerca de 620 mil pessoas, aumentando ainda mais a pressão sobre a capacidade de resposta humanitária no país.
Com a escalada de múltiplas crises, as Nações Unidas reforçam que o país enfrenta um desafio humanitário complexo, onde a insuficiência de recursos pode significar atraso no apoio alimentar, falhas em cuidados médicos e risco de colapso nos serviços básicos para centenas de milhares de deslocados e comunidades vulneráveis.
Fontes: OCHA (Plano de Necessidades e Resposta Humanitária 2026) / Jornal Savana