Moçambique enfrenta um avanço alarmante das queimadas descontroladas e do desmatamento. Apenas no ano passado, cerca de 267 mil hectares de florestas foram consumidos, segundo dados recentes da Direcção Nacional das Florestas e Fauna Bravia.
“O país enfrenta níveis de destruição florestal que podemos considerar críticos. Estamos a trabalhar, com apoio de parceiros, para capacitar as comunidades locais na gestão sustentável destes recursos vitais”, afirmou Imede Fulame, director nacional de florestas, durante as comemorações do Dia Internacional das Florestas no distrito de Matutuine.
O responsável destacou que as florestas não são apenas reservas naturais, mas também fontes de sustento. “As comunidades dependem destas áreas para carvão, produtos não madeireiros e outros recursos. É essencial garantir que estes recursos continuem disponíveis para as futuras gerações”, acrescentou Fulame.
Segundo Mariamo José, directora provincial de florestas, a província de Maputo está entre as mais afetadas pelas queimadas descontroladas. “Além da necessidade de madeira para habitação e produção de carvão, a pressão da expansão agropecuária contribui para a degradação florestal. Estamos a implementar ações de reflorestamento e monitoramento contínuo para recuperar estas áreas”, explicou.
Atualmente, mais de 50 mil hectares de florestas precisam de reflorestamento imediato devido às queimadas e ao desmatamento. No âmbito das comemorações do Dia Mundial das Florestas, mais de 4 mil mudas foram plantadas na província de Maputo, acompanhadas de campanhas de sensibilização junto das comunidades sobre a importância da preservação ambiental.
Especialistas alertam que, sem estratégias mais eficazes de prevenção e gestão, Moçambique poderá enfrentar consequências severas para o equilíbrio ecológico, produção agrícola e a subsistência das populações locais. (Por : Paula nhampossa)