Mais de 1.300 pessoas afectadas pelas recentes inundações no distrito de Nhamatanda estão a ser acolhidas numa escola construída pela Fundação Tzu Chi, na província de Sofala, numa resposta de emergência que está a evitar uma crise ainda maior.
A Escola Básica de Muda Mufo, localizada no posto administrativo de Tica, serviu de abrigo para 1.394 pessoas provenientes de zonas duramente atingidas como Magoe, Madangwa, Makuiu e Massequessa. As inundações, registadas entre 18 e 20 de março, afectaram mais de 4.200 famílias, segundo dados oficiais.
De acordo com o presidente da Tzu Chi em Moçambique, Dino Foi, as infraestruturas foram pensadas também para situações de emergência. “As famílias estão seguras. Vamos continuar a acompanhar a situação em coordenação com o Governo”, garantiu.
A escola, avaliada em cerca de 2,4 milhões de dólares, faz parte de um conjunto de infraestruturas erguidas após o ciclone Idai, com capacidade para resistir a eventos extremos. Apesar de parte do espaço estar a ser usado para abrigo, assistência médica e armazenamento de alimentos, as aulas continuam a decorrer normalmente.
No terreno, a situação continua difícil. Segundo o chefe do posto administrativo de Tica, Noé Botão, muitas famílias perderam as suas machambas duas vezes em poucos meses. “Agora o maior problema é a fome. Precisamos de sementes para recomeçar”, afirmou.
Dados das autoridades indicam que mais de 750 hectares de culturas foram destruídos, além de casas, centros de saúde e estradas afectadas. A subida dos rios continua a agravar a situação em várias localidades.
No geral, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres aponta que mais de um milhão de pessoas já foram afectadas pela época chuvosa no país, com perdas significativas na agricultura.
Enquanto isso, a escola de Muda Mufo torna-se símbolo de resistência e apoio, num momento em que milhares de famílias lutam para recomeçar. (Por : Carlos e Silvia )