O Governo anunciou esta terça-feira a criação do Gabinete de Coordenação do Projecto da Linha Férrea Norte-Sul (GLNS), uma estrutura que terá a missão de preparar e conduzir todas as fases do ambicioso plano de interligação ferroviária do país, com conclusão prevista até 2033, na pior das hipóteses.
O anúncio foi feito pelo porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa, que destacou que a iniciativa surge como resposta estratégica aos recorrentes constrangimentos registados na Estrada Nacional Número 1 (N1), principal eixo rodoviário nacional.
Objectivo: ligar o país de forma contínua
Segundo o Governo, o projecto pretende estabelecer uma linha ferroviária contínua que conecte as actuais infra-estruturas do Sul, Centro e Norte, eliminando a fragmentação existente.
“Actualmente, as três infra-estruturas não se interligam entre si”, explicou o porta-voz, sublinhando que a nova ligação permitirá criar um corredor eficiente entre zonas estratégicas de produção agrícola, industrial, mineira e turística.
A interligação ferroviária deverá funcionar como alternativa estruturante ao transporte rodoviário, reduzindo a pressão sobre a N1 e permitindo o escoamento de maiores volumes de mercadorias e passageiros com maior segurança e eficiência logística.
Responsabilidades do novo gabinete
O GLNS será responsável por:
- Coordenar estudos de viabilidade técnica, económica e financeira;
- Avaliar a viabilidade ambiental do projecto;
- Lançar e gerir concursos públicos para selecção de consultores e empreiteiros;
- Estruturar modelos de financiamento;
- Assegurar conformidade com normas ambientais e sociais;
- Prestar assessoria técnica directa ao Governo.
O Executivo admite que ainda não há uma estimativa final dos custos totais da operação. Caberá ao gabinete mobilizar recursos e atrair investidores estratégicos para viabilizar a construção e futura operação da linha férrea.
Prazo estimado: seis a oito anos
De acordo com as projecções apresentadas, o projecto poderá estar concluído num horizonte de seis a oito anos, apontando 2033 como cenário máximo. Contudo, o prazo poderá ser reduzido dependendo da capacidade de mobilização financeira e da celeridade dos parceiros envolvidos.
O Governo considera esta iniciativa um projecto estruturante, capaz de impulsionar o desenvolvimento económico nacional, reforçar a integração territorial e transformar o sistema logístico do país nas próximas décadas. _vozafricano