Uma intervenção considerada urgente e inevitável está a abalar o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO), após o Governo reconhecer falhas profundas que colocaram em causa o funcionamento normal da instituição. A decisão foi anunciada esta terça-feira, 24 de março, pelo Ministério dos Transportes e Logística, na sequência de inspeções que expuseram um quadro interno crítico, marcado por desorganização, suspeitas de corrupção e incapacidade técnica.
As conclusões das auditorias revelam um cenário alarmante: milhares de cidadãos continuam à espera de documentos essenciais, numa altura em que o sistema já não consegue responder à procura. Só até meados de fevereiro, estavam acumuladas cerca de 40 mil cartas de condução por emitir, além de mais de 30 mil processos administrativos completamente paralisados.
Fontes ligadas ao processo indicam que os problemas não são recentes, mas atingiram níveis insustentáveis no início deste ano. Utentes enfrentam longas filas, atrasos sem explicação e falhas constantes nos sistemas informáticos, o que agravou a perda de confiança numa instituição considerada estratégica para o funcionamento do setor dos transportes.
A investigação conduzida pelo próprio ministério, em conjunto com a Administração Estatal, aponta para fragilidades sérias na gestão interna, uso de tecnologias ultrapassadas e práticas consideradas irregulares, algumas das quais levantam fortes suspeitas de esquemas de corrupção dentro do sistema.
Perante este cenário, o Executivo decidiu avançar com um plano de choque que inclui a substituição progressiva de funcionários, através da mobilidade de quadros vindos de outras áreas do Estado, numa tentativa de recuperar a capacidade operacional do instituto. Paralelamente, será feita uma intervenção urgente nos sistemas tecnológicos, considerados um dos principais entraves à normalização dos serviços.
O processo será acompanhado por uma equipa técnica multissetorial e terá como prazo crítico o mês de agosto de 2026, período em que o Governo espera apresentar resultados visíveis.
Nos bastidores, a medida é vista como um teste à capacidade do Estado em restaurar a credibilidade de instituições públicas fragilizadas. Para muitos cidadãos, mais do que promessas, o que está em causa é o acesso a serviços básicos e o fim de um ciclo de falhas que, durante meses, deixou milhares de moçambicanos sem respostas. (Por : João e Paula )