O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, anunciou a disponibilização de um milhão de dólares para apoiar a autonomia financeira da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico, numa altura em que os países membros procuram reduzir a dependência de financiamentos externos.
O anúncio foi feito durante a cimeira da organização realizada em Malabo, onde líderes de vários países discutem estratégias para fortalecer a cooperação económica e política entre os Estados membros.
CONTRIBUIÇÃO EM MEIO A DESAFIOS INTERNOS
Durante a sua intervenção, Chapo reconheceu que Moçambique enfrenta actualmente sérios desafios internos, incluindo cheias, inundações e ciclones que têm afectado diversas regiões do país. Ainda assim, garantiu o compromisso de contribuir para o fortalecimento da organização.
“Gostaríamos de contribuir mais, mas, mesmo com as dificuldades, continuaremos a fazer esforços para apoiar com este valor”, afirmou o Chefe de Estado.
A contribuição surge num momento em que a OEACP enfrenta dificuldades financeiras, devido ao incumprimento das quotas por parte de vários países membros. Dados do secretariado da organização indicam que, dos 79 Estados que integram o bloco, apenas 48 têm as suas contribuições regularizadas.
PRESSÃO PARA MAIOR INDEPENDÊNCIA FINANCEIRA
A situação tem levado a liderança da organização a reforçar apelos para que os países aumentem as suas contribuições, de forma a garantir maior independência e capacidade de resposta aos desafios globais.
O esforço está a ser impulsionado por Mswati III, que tem defendido a mobilização de recursos próprios como forma de reduzir a vulnerabilidade a pressões externas.
Outros países também anunciaram contribuições significativas durante a cimeira. Angola comprometeu-se com 10 milhões de euros, enquanto o anfitrião, Teodoro Obiang, anunciou um apoio de cinco milhões de dólares. Já o reino de Eswatini avançou com 1,5 milhões de euros.
IMPACTO ESTRATÉGICO PARA OS PAÍSES MEMBROS
Segundo Daniel Chapo, o cumprimento das contribuições representa um investimento estratégico para os países membros, permitindo maior influência nas decisões globais e defesa de interesses comuns.
“Ao contribuirmos, estamos a fortalecer a nossa capacidade de influenciar agendas globais e encontrar soluções sustentáveis para os desafios que enfrentamos”, destacou.
Analistas consideram que este movimento pode marcar uma nova fase para a OEACP, baseada numa maior autonomia financeira e cooperação entre os países do bloco, embora alertem que o sucesso dependerá do compromisso efectivo de todos os membros. (TVM)