A Câmara de Comércio de Moçambique anunciou uma nova iniciativa destinada a aproximar produtores agrícolas nacionais dos grandes centros comerciais, numa estratégia que visa fortalecer a produção interna e reduzir a forte dependência de produtos importados no mercado moçambicano.
A proposta foi apresentada pelo presidente da instituição, Lucas Chachine, após um encontro com o Presidente da República, Daniel Chapo. Segundo o dirigente empresarial, um dos principais obstáculos que impedem muitos agricultores de vender nos grandes supermercados do país está relacionado com padrões de qualidade e requisitos de fornecimento exigidos pelas cadeias de distribuição modernas.
De acordo com informações avançadas pela Lusa, a CCM pretende investir na capacitação técnica dos produtores, permitindo que estes melhorem os processos de produção, embalagem, armazenamento e logística, factores considerados essenciais para competir no mercado formal.
Produtores enfrentam barreiras para entrar nos supermercados
Actualmente, grande parte da produção agrícola nacional continua concentrada em mercados informais ou cadeias de distribuição locais, o que limita o crescimento dos pequenos e médios produtores.
Segundo Lucas Chachine, muitos agricultores não conseguem integrar as redes de abastecimento dos grandes centros comerciais porque os seus produtos não cumprem padrões exigidos em termos de qualidade, regularidade de fornecimento e certificação sanitária.
A estratégia da Câmara de Comércio passa por criar um programa de capacitação e acompanhamento técnico, permitindo que os produtores se adaptem às exigências do mercado moderno e possam estabelecer relações comerciais estáveis com supermercados e cadeias de retalho.
Criação de uma nova cadeia de valor agrícola
Outro eixo central da iniciativa é a criação de uma cadeia de valor mais estruturada para os produtos agrícolas nacionais.
A CCM pretende identificar empresas capazes de processar, embalar e padronizar os produtos agrícolas, tornando-os mais competitivos para venda em grandes superfícies comerciais.
Essa abordagem pode gerar múltiplos benefícios para a economia moçambicana:
- aumento da renda dos produtores rurais
- fortalecimento da produção nacional
- redução das importações alimentares
- criação de novas oportunidades de emprego no sector agroindustrial
Economistas destacam que a criação de cadeias de valor locais é um passo fundamental para transformar a agricultura de subsistência em agricultura comercial, aumentando a produtividade e a competitividade do sector.
Coordenação com o Governo
Para concretizar o projecto, a Câmara de Comércio pretende trabalhar em estreita coordenação com o Ministério da Economia, liderado por Basílio Muhate.
Segundo Chachine, a iniciativa está alinhada com a estratégia do Governo moçambicano de fortalecer a produção interna e reduzir a dependência de importações, um desafio estrutural da economia nacional.
Nos últimos anos, Moçambique tem importado grandes volumes de produtos alimentares — incluindo hortícolas, cereais e produtos processados — apesar do potencial agrícola do país.
Para as autoridades económicas, o aumento da produção nacional e a integração dos produtores nas cadeias de distribuição modernas podem contribuir para:
- melhorar a balança comercial
- estimular o investimento no sector agrícola
- reforçar a segurança alimentar
Desenvolvimento do sector empresarial nacional
Além do impacto no sector agrícola, a Câmara de Comércio afirma que o projecto também tem como objectivo impulsionar o desenvolvimento do sector empresarial moçambicano.
A entidade pretende apoiar empresas locais ligadas ao processamento de alimentos, logística e distribuição, criando um ecossistema empresarial capaz de absorver e valorizar a produção nacional.
Analistas económicos consideram que iniciativas deste tipo podem desempenhar um papel decisivo na transformação estrutural da economia moçambicana, sobretudo num momento em que o país procura reduzir vulnerabilidades externas e estimular o crescimento de sectores produtivos.
Ao aproximar produtores agrícolas dos grandes centros comerciais, a Câmara de Comércio acredita que será possível criar um mercado mais forte para os produtos nacionais, aumentar a renda no meio rural e reduzir gradualmente a dependência de importações alimentares que ainda pesa significativamente na economia do país. _vozafricano