Em meio à grave crise de chuvas e inundações que afeta Moçambique desde dezembro de 2025, a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, admitiu publicamente que houve desvio de alimentos destinados às vítimas alojadas em centros de acolhimento no país. A informação foi divulgada em declarações recentes, nas quais a dirigente apelou à comunicação social e à sociedade em geral para que denunciem quaisquer irregularidades que comprometam a assistência humanitária às populações afetadas — um pedido que visa proteger a solidariedade e garantir que os recursos cheguem a quem realmente necessita.

O apelo surgiu num contexto de intensa pressão humanitária: as inundações provocadas por chuvas extremas e eventos meteorológicos intensificados pela época chuvosa de 2025‑2026 afetaram centenas de milhares de pessoas em várias províncias, incluindo Maputo, Gaza, Sofala, Inhambane e outros distritos do sul e centro do país. Dados oficiais indicam que mais de 700 000 pessoas foram afetadas, com dezenas de milhares deslocadas e acolhidas em centros temporários de assistência humanitária.
Em vários pontos do país, as vítimas das cheias relataram falta ou atraso na distribuição de alimentos essenciais nos centros de acolhimento, um problema que tem sido documentado por organizações locais e pelas próprias comunidades. Algumas famílias afirmam que, apesar de a assistência ter sido entregue inicialmente, a provisão regular de alimentos ficou comprometida, gerando dificuldades significativas entre os alojados.

Ao reconhecer a situação, a presidente do INGD enfatizou que tais irregularidades comprometem não apenas os esforços humanitários, mas também a confiança pública no processo de assistência. O instituto, que lidera a coordenação da resposta nacional a desastres naturais e emergências humanitárias, destacou a importância de que cidadãos, jornalistas e observadores social denunciem práticas que possam desviar ou prejudicar a distribuição de bens essenciais às vítimas.
Azações de resposta humanitária em curso envolvem organismos governamentais moçambicanos, agências das Nações Unidas e parceiros internacionais, que têm trabalhado para melhorar a assistência a famílias deslocadas, reforçar centros de acolhimento e distribuir alimentos, água, abrigo e cuidados de saúde. Ainda assim, a escala da crise — com milhares de deslocados e necessidades urgentes de apoio básico — tem colocado enormes desafios logísticos e operacionais à entrega eficaz desses recursos.
O apelo de Luísa Meque surge também num momento em que as organizações humanitárias nacionais e internacionais intensificam esforços para coordenar a resposta, mobilizar recursos adicionais e garantir que a ajuda chegue de forma rápida e transparente às famílias mais vulneráveis em todo o território afetado. (Vozafricano)