O Governo moçambicano confirmou o arranque do transporte público escolar ainda este ano, numa tentativa de responder às dificuldades diárias enfrentadas por milhares de estudantes. O anúncio foi feito pelo ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, indicando que a implementação começa no segundo semestre de 2026.
A iniciativa será lançada como projecto-piloto na Área Metropolitana de Maputo, com autocarros exclusivos para alunos do ensino secundário. Segundo o governante, trata-se de uma medida pensada para melhorar a segurança no trajecto casa-escola e reduzir a pressão sobre o já sobrecarregado sistema de transporte urbano. A expansão para a Beira e Nampula está prevista numa fase seguinte, dependendo dos resultados iniciais.
Nos bastidores, fontes ligadas ao sector admitem que o projecto surge após sucessivas reclamações de encarregados de educação e estudantes, que enfrentam diariamente longas esperas, superlotação e riscos durante o transporte. A aposta do Executivo passa por criar um sistema mais organizado e seguro, especialmente nas zonas com maior concentração escolar.
Durante a visita ao Instituto Superior de Transportes e Comunicações, o ministro defendeu também o envolvimento directo de estudantes de engenharia na fiscalização e construção de infraestruturas rodoviárias, numa tentativa de reforçar a qualidade das obras públicas e garantir melhor uso dos recursos do Estado.
Paralelamente, o Governo já tem em curso um plano mais amplo para reforçar o transporte público no país, que inclui a aquisição de cerca de 240 autocarros, num concurso aberto a empresas nacionais e estrangeiras. O objectivo é equilibrar o crescimento populacional com a melhoria das condições de mobilidade urbana.
A medida surge num contexto em que eventos climáticos recentes, como as chuvas intensas que afectaram a circulação na Estrada Nacional Número 1, voltaram a expor fragilidades nas infraestruturas. Ainda assim, o Executivo acredita que este novo modelo poderá marcar uma mudança gradual no acesso ao transporte para estudantes, um dos grupos mais afectados pela crise de mobilidade no país. ( Vozafricano)