Moçambique recebeu esta terça-feira, 24 de março, um apoio significativo da Tanzânia, num momento em que o país enfrenta as consequências severas das recentes inundações que afetaram milhões de pessoas. Trata-se de mais de 500 toneladas de sementes, destinadas a ajudar na recuperação das famílias que perderam as suas culturas agrícolas.
A entrega foi feita por representantes do Governo tanzaniano, que destacaram que a ajuda surge por orientação direta da liderança daquele país, como um gesto de solidariedade para com o povo moçambicano. Durante o acto, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Tanzânia afirmou que o apoio representa o compromisso dos cidadãos tanzanianos em apoiar Moçambique neste momento difícil, sublinhando que as sementes são essenciais para relançar a produção agrícola nas zonas afetadas.
Do lado moçambicano, o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, reconheceu a importância do apoio, afirmando que o país enfrenta um dos períodos mais desafiantes dos últimos anos. Segundo dados avançados pelo governante, mais de um milhão de famílias foram diretamente atingidas pelas cheias, muitas das quais perderam campos de cultivo, reservas alimentares e fontes de rendimento.
Valá explicou ainda que o Governo está a preparar um plano global de reconstrução e recuperação, que inclui o relançamento da produção agrícola como prioridade imediata. As estimativas iniciais apontam que o impacto das inundações poderá reduzir o Produto Interno Bruto entre 1% e 2%, o que coloca ainda mais pressão sobre a economia nacional.
Fontes ligadas ao processo indicam que a distribuição das sementes será feita de forma faseada, priorizando as zonas mais afetadas, numa tentativa de garantir que as famílias consigam aproveitar a próxima época agrícola.
Além da componente humanitária, a visita da delegação tanzaniana incluiu encontros de alto nível. O chefe da diplomacia da Tanzânia foi recebido pela Primeira-Ministra, Benvinda Levi, num encontro realizado à porta fechada, onde foram discutidas novas formas de reforçar a cooperação económica entre os dois países.
Segundo informações avançadas após a reunião, há interesse em aprofundar parcerias económicas, numa altura em que Moçambique procura acelerar a recuperação pós-desastres. A cooperação histórica entre os dois países, que já dura há várias décadas, poderá agora entrar numa nova fase, com foco mais direcionado para o desenvolvimento económico e integração regional.
A chegada deste apoio é vista como um alívio para milhares de famílias afetadas, mas também como um sinal claro de que a resposta à crise exige esforços conjuntos. Enquanto isso, no terreno, muitas comunidades continuam a lutar para reconstruir as suas vidas, dependentes de assistência urgente para garantir a próxima colheita. (POR : Paula e Silvia )