Uma visita à ala de oncologia pediátrica do Hospital Central de Maputo expôs uma realidade silenciosa: crianças vindas de várias províncias dependem quase exclusivamente daquela unidade para tratar doenças oncológicas. Diante desse cenário, a primeira-dama moçambicana anunciou um plano de emergência que pretende mudar a forma como o país responde ao cancro infantil.
Durante uma visita oficial ao Hospital Central de Maputo, a primeira-dama da República, Gueta Selemane Chapo, revelou a preparação de um plano de acção urgente destinado a reforçar o tratamento de oncologia pediátrica em Moçambique.
A iniciativa surge num momento em que a principal unidade hospitalar do país enfrenta forte pressão no atendimento a crianças com doenças oncológicas, muitas delas provenientes de regiões distantes. Segundo a primeira-dama, a estratégia passa por descentralizar serviços especializados, criando capacidade de diagnóstico e tratamento nas regiões Centro e Norte, reduzindo assim a dependência quase total da capital.
A deslocação ao hospital foi motivada pelo aumento de pedidos de ajuda que têm chegado ao gabinete da primeira-dama, vindos de famílias que enfrentam enormes dificuldades para manter os filhos em tratamento prolongado na cidade de Maputo.
Durante a visita, Gueta Selemane Chapo sublinhou que a realidade observada no terreno revela desafios que vão além da capacidade hospitalar. Muitas famílias, explicou, acabam por interromper o tratamento das crianças por falta de condições para permanecer na capital durante meses ou mesmo anos.
Um dos pontos centrais do plano passa precisamente pela criação de espaços de acolhimento destinados às mães e familiares que acompanham os pacientes. A intenção é evitar que as famílias sejam forçadas a regressar prematuramente às suas províncias, situação que frequentemente compromete a continuidade das terapias.
A primeira-dama defendeu também uma reorganização estratégica dos serviços oncológicos no país. A regionalização do tratamento, afirmou, poderá aliviar a pressão sobre o Hospital Central de Maputo, actualmente visto como a principal — e muitas vezes única — esperança para crianças diagnosticadas com cancro.
Outro desafio identificado está relacionado com os elevados custos de tratamento fora do país, uma opção que permanece inacessível para a maioria das famílias moçambicanas. Por isso, o reforço da capacidade nacional tornou-se uma prioridade defendida pela primeira-dama.
Além das mudanças estruturais, foram anunciadas medidas imediatas de apoio social. Entre elas está a disponibilização de passagens de transporte para famílias que já concluíram o tratamento e necessitam regressar às suas províncias, bem como a distribuição de bens essenciais para apoiar os acompanhantes das crianças internadas.
No final da visita, Gueta Selemane Chapo assumiu ainda o compromisso de garantir doações regulares de fraldas para a unidade de cuidados intensivos pediátricos, utilizando parte de donativos recebidos em operações humanitárias recentes.
A primeira-dama aproveitou igualmente a ocasião para lançar um apelo público à solidariedade de empresas, organizações e cidadãos, defendendo que o combate ao cancro infantil exige uma mobilização colectiva.
Num sistema de saúde onde a distância, os custos e a falta de infra-estruturas continuam a ser obstáculos reais, a iniciativa agora anunciada pode representar um primeiro passo para transformar o acesso ao tratamento oncológico infantil em Moçambique. (Produção: João e Paula )