A necessidade de reformar profundamente o sistema agro-alimentar nacional voltou ao centro do debate político em Maputo, onde o Governo defendeu que mudanças estruturais na agricultura podem desempenhar um papel decisivo na redução sustentável da pobreza em Moçambique.
A posição foi apresentada pela primeira-ministra Benvinda Levi durante as celebrações do Dia Internacional da Mulher, assinalado a 8 de Março. Na ocasião, a governante sublinhou que o sector agrícola continua a ser um dos pilares da economia moçambicana e uma das principais fontes de subsistência para milhões de famílias espalhadas pelas zonas rurais.
Agricultura no centro da luta contra a pobreza
Segundo Benvinda Levi, qualquer estratégia de combate à pobreza em Moçambique passa inevitavelmente pela modernização e reorganização do sistema agro-alimentar. A governante defendeu que o país precisa de dar um salto qualitativo que permita transformar a produção agrícola em maior rendimento para os agricultores e em melhores condições de vida para as comunidades.
Durante o seu discurso, destacou que a agricultura permanece como a base económica de muitas regiões do país, envolvendo sobretudo pequenos produtores familiares que dependem da terra para garantir alimentação e sustento.
Para o Executivo, a transformação do sector deverá incluir melhorias nas cadeias de produção, maior acesso a tecnologias agrícolas e a criação de mecanismos que permitam aos agricultores vender os seus produtos em mercados mais amplos e competitivos.
Papel estratégico das mulheres na agricultura
Um dos pontos centrais do discurso da chefe do Governo foi o reconhecimento do papel determinante das mulheres no desenvolvimento agrícola do país.
De acordo com a governante, mulheres e raparigas representam uma parcela significativa da força de trabalho no campo, participando activamente em diversas fases da produção, desde o cultivo até à comercialização de produtos.
Nesse contexto, Benvinda Levi defendeu que o fortalecimento da autonomia económica feminina é fundamental para impulsionar a transformação do sistema agro-alimentar.
Segundo explicou, quando as mulheres conseguem acesso a recursos essenciais — como terra, financiamento, tecnologia agrícola e formação técnica — os benefícios não se limitam às próprias produtoras. Os impactos estendem-se às famílias e às comunidades, contribuindo para maior segurança alimentar e estabilidade económica.
A primeira-ministra acrescentou que reforçar a participação feminina na economia rural não é apenas uma questão de equidade social, mas também uma estratégia para acelerar o crescimento económico do país.
Prioridades definidas pelo Governo
A transformação do sector agrícola está alinhada com os objectivos estabelecidos no programa de governação para os próximos anos. O plano prevê a implementação de medidas destinadas a modernizar a agricultura e aumentar a produtividade nas zonas rurais.
Entre as prioridades destacam-se:
- modernização das práticas agrícolas;
- desenvolvimento de cadeias de valor mais eficientes;
- criação de pólos de produção;
- reforço da capacitação técnica dos pequenos produtores.
Essas iniciativas fazem parte das estratégias de desenvolvimento económico que procuram reduzir a dependência de sectores tradicionais e promover uma economia mais diversificada.
Para o Governo, fortalecer o sector agrário significa não apenas aumentar a produção de alimentos, mas também criar oportunidades de emprego e dinamizar as economias locais.
Violência baseada no género preocupa liderança nacional
Durante as celebrações do Dia Internacional da Mulher, o Presidente da República, Daniel Chapo, também abordou desafios sociais que continuam a afectar o país.
Numa mensagem dirigida à nação, o chefe do Estado manifestou preocupação com o aumento de casos de violência baseada no género, classificando o fenómeno como um obstáculo sério ao progresso social e económico.
Segundo o Presidente, além de constituir crime à luz da legislação moçambicana, a violência contra mulheres limita a participação plena destas na vida económica, política e social.
Daniel Chapo destacou que as mulheres desempenham um papel essencial no desenvolvimento do país, sendo protagonistas em vários sectores, incluindo a agricultura, comércio e educação.
Agricultura como motor do desenvolvimento
Especialistas em desenvolvimento rural consideram que o fortalecimento do sistema agro-alimentar poderá representar um dos caminhos mais eficazes para acelerar o crescimento económico em Moçambique.
Num país onde grande parte da população vive em zonas rurais e depende directamente da agricultura, políticas que promovam produtividade, acesso a mercados e inclusão social podem gerar impactos significativos na redução das desigualdades.
O debate levantado durante as celebrações do Dia Internacional da Mulher reforça a ideia de que o futuro do desenvolvimento moçambicano passa, em grande medida, pela capacidade do país de transformar o seu sector agrícola em um motor de prosperidade sustentável. (vozafricano)
De acordo com informações divulgadas pela agência Lusa.
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