A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk alcançou um marco estratégico no mercado global da saúde após a Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) aprovar, esta segunda-feira, o seu primeiro comprimido oral para emagrecimento, à base de semaglutida. A decisão coloca a empresa na dianteira da corrida pelos medicamentos orais contra a obesidade e pode redefinir o futuro do tratamento da doença.

O novo medicamento será comercializado sob a marca Wegovy, a mesma utilizada na versão injetável já amplamente conhecida, e contém 25 miligramas de semaglutida, princípio ativo também presente no Ozempic. A aprovação representa uma viragem estratégica para a Novo Nordisk, que procura recuperar espaço perdido para a rival norte-americana Eli Lilly, atualmente líder em prescrições semanais nos Estados Unidos.
Vantagem competitiva num mercado bilionário
Ao contrário das injeções semanais, o comprimido é administrado uma vez por dia, o que poderá aumentar significativamente a adesão ao tratamento, sobretudo entre pacientes que demonstram resistência a terapias injetáveis. Especialistas do setor apontam esta característica como um dos principais trunfos do novo produto.
Um ensaio clínico de fase final, com duração de 64 semanas, revelou que os participantes que tomaram a semaglutida oral perderam, em média, 16,6% do peso corporal, um resultado considerado altamente competitivo quando comparado a outras terapias disponíveis no mercado. O medicamento foi aprovado para controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma condição de saúde, como diabetes tipo 2 ou hipertensão.
Impacto imediato no mercado financeiro

A notícia teve repercussão imediata nos mercados: as ações da Novo Nordisk subiram cerca de 8% nos Estados Unidos, enquanto os papéis da Eli Lilly recuaram aproximadamente 1% no pregão estendido. Analistas interpretam o movimento como um sinal de confiança dos investidores na capacidade da Novo de voltar a crescer no competitivo mercado de medicamentos para emagrecimento.
Segundo projeções do setor, este mercado poderá atingir 150 mil milhões de dólares anuais na próxima década, impulsionado pelo aumento global da obesidade e pela procura por tratamentos eficazes e menos invasivos.
Ampliação do acesso e novos pacientes
Dados oficiais indicam que cerca de 40% dos adultos norte-americanos vivem com obesidade, mas apenas uma fração utiliza atualmente medicamentos à base de GLP-1. A introdução de um comprimido pode abrir caminho para dezenas de milhões de novos pacientes, incluindo aqueles que até agora evitavam terapias injetáveis por questões de conforto, logística ou estigma.
“O lançamento de versões orais tem potencial para expandir significativamente a base de pacientes”, avalia Anand Iyer, especialista em saúde digital. Analistas estimam que os comprimidos possam representar até 20% do mercado de medicamentos para emagrecimento até 2030.
Concorrência segue de perto
Apesar da vantagem inicial, a liderança da Novo Nordisk poderá ser desafiada em breve. A Eli Lilly aguarda aprovação do seu comprimido oral orforglipron, prevista para os primeiros meses de 2026, e que não exige jejum antes da administração — uma diferença relevante, já que o comprimido da Novo deve ser tomado em jejum, 30 minutos antes de qualquer alimento ou bebida.
Ainda assim, a Novo aposta na vantagem de ser a primeira no mercado, aliada à produção local nos Estados Unidos e ao reforço antecipado de estoques, para garantir um fornecimento estável desde o lançamento, previsto para janeiro.
Preços e desafios futuros
A empresa anunciou que as doses iniciais custarão cerca de 149 dólares por mês para beneficiários de programas públicos de saúde e consumidores diretos. No entanto, os preços de tabela continuam elevados, ultrapassando os 1.000 dólares mensais, o que mantém o debate sobre acesso e sustentabilidade dos sistemas de saúde.
Embora o novo comprimido represente uma aposta forte, analistas alertam que ele não substituirá completamente as injeções, mas deverá coexistir como uma alternativa complementar, especialmente para perfis específicos de pacientes.
Com esta aprovação, a Novo Nordisk reforça a sua posição como uma das protagonistas globais no combate à obesidade, numa disputa que mistura inovação científica, interesses económicos e um desafio de saúde pública cada vez mais urgente.
A REUTERS tambem destacou um pouco dessa materia : https://www.reuters.com/sustainability/boards-policy-regulation/novo-nordisk-wins-us-approval-weight-loss-pill-2025-12-22/