O Governo de Moçambique prepara uma das maiores intervenções rodoviárias dos últimos anos, com um programa que prevê reabilitar e construir cerca de 3.500 quilómetros de estradas até 2031. A iniciativa surge num momento em que a deterioração de várias vias nacionais tem sido apontada como um dos principais entraves ao desenvolvimento económico e à mobilidade entre regiões.
A informação foi divulgada pela Administração Nacional de Estradas, que confirmou que o projecto faz parte de um plano estratégico de modernização da rede rodoviária nacional. O programa, designado “Mais Estradas – 2031”, deverá arrancar no segundo semestre deste ano e pretende reforçar a ligação entre zonas agrícolas, centros urbanos e corredores logísticos.
A aposta nas infra-estruturas rodoviárias é vista pelo Executivo como uma peça central para dinamizar a economia. Em várias regiões do país, especialmente nas zonas rurais, produtores enfrentam dificuldades para transportar bens até aos mercados devido ao estado precário das vias. Em muitos casos, o mau acesso encarece o transporte e reduz a competitividade de produtos agrícolas e industriais.
O plano prevê intervenções em diferentes províncias, abrangendo tanto a reabilitação de troços degradados como a construção de novas estradas com pavimento asfaltado. Entre os segmentos incluídos no programa está a ligação Porto Henrique–Catuane, na província de Maputo Province, com aproximadamente 75 quilómetros.
Na província de Gaza estão previstas obras nos troços Macarretane–Matchingue e Chinhacanine–Nalazi, enquanto na província de Inhambane o plano inclui as ligações Massinga–Sitila e Sitila–Funhalouro, consideradas importantes para a mobilidade local e o transporte de mercadorias.
Já no centro do país, a província de Sofala deverá beneficiar da reabilitação de estradas que ligam Casa Nova a Estaquina e desta última ao entroncamento com a Estrada Nacional Número 1, considerada a principal artéria rodoviária do país.
No norte, o projecto inclui também intervenções na província de Nampula, com obras previstas nas ligações Nametil–Chalaua e Chalaua–Moma, regiões com forte actividade agrícola.
Para garantir a execução do programa, o Ministério dos Transportes e Logística de Moçambique lançou um concurso público destinado à contratação das empresas que irão conduzir as obras. A selecção dos empreiteiros será determinante para definir o calendário de implementação do projecto.
Paralelamente a este plano, o Governo continua a mobilizar financiamento internacional para recuperar a Estrada Nacional Número 1. Em 2025, o Executivo anunciou ter assegurado cerca de 1,1 mil milhões de dólares para a reabilitação de vários troços da estrada, considerada essencial para a ligação entre o sul, centro e norte do país.
Parte significativa desse financiamento foi garantida com o apoio do Banco Mundial, que aprovou um pacote de aproximadamente 850 milhões de dólares para apoiar a recuperação de segmentos prioritários.
Entre as áreas identificadas como urgentes estão os troços Inchope–Gorongosa, na província de Sofala, Chimuara–Nicoadala, na província da Zambézia, e Metoro–Pemba, na província de Cabo Delgado.
Autoridades admitem que a modernização da rede rodoviária é uma necessidade antiga. O desgaste acumulado em várias estradas, aliado ao aumento do tráfego e às condições climáticas, tem agravado o estado de conservação de muitas vias.
Caso o plano seja executado conforme previsto, especialistas acreditam que o país poderá assistir a uma melhoria significativa na mobilidade, com impacto directo no comércio interno, na circulação de pessoas e na integração económica entre diferentes regiões de Moçambique. (vozafricano)
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