O MPLA decidiu avançar com uma redução significativa na composição do seu Comité Central, cortando cerca de 100 membros, numa medida que está a ser interpretada como parte de uma estratégia mais ampla de reorganização interna antes do próximo congresso.
Redução e reconfiguração do poder interno
A decisão prevê a diminuição do órgão de 693 para 593 membros, representando uma redução de aproximadamente 14,5%. O anúncio foi feito por Mara Quiosa, durante a apresentação da convocatória do 9.º Congresso Ordinário do partido.
Segundo a dirigente, a nova estrutura não será apenas mais reduzida, mas também mais equilibrada, combinando 55% de continuidade com 45% de renovação, num claro sinal de tentativa de rejuvenescimento sem romper totalmente com a base histórica do partido.
Congresso no horizonte
A decisão surge na sequência da 10.ª Reunião Ordinária do Comité Central, realizada a 12 de março, onde foram aprovados os principais documentos orientadores do congresso, marcado para os dias 9 e 10 de dezembro.
Este encontro é visto como crucial para redefinir prioridades políticas e consolidar estratégias num contexto em que o partido enfrenta desafios internos e externos, incluindo pressão por reformas e maior abertura.
Paridade de género como prioridade
Outro ponto de destaque é a aposta na equidade de género. O partido anunciou que pretende fixar em 50% a representação feminina nos órgãos colegiais — desde o nível intermédio até ao nacional.
A medida reforça o discurso de inclusão e pode representar uma das maiores mudanças estruturais no funcionamento interno do partido nos últimos anos.
Entre renovação e controlo político
Apesar do discurso oficial focado na modernização, analistas políticos apontam que a redução do número de membros pode também ter um impacto direto no equilíbrio de forças internas, limitando espaços de influência e consolidando blocos de poder dentro do partido.
A combinação entre corte de membros e renovação levanta uma questão central:
trata-se de uma reforma estrutural genuína ou de um reposicionamento estratégico para reforçar o controlo interno?
Com o congresso marcado para dezembro, os próximos meses deverão ser decisivos para perceber até que ponto estas mudanças irão transformar, de facto, a dinâmica do MPLA. ( Por : Silvia e João)