Moçambique deu um passo significativo no acompanhamento das mudanças climáticas ao introduzir, pela primeira vez, novos indicadores científicos no seu relatório anual do clima, numa altura em que o país enfrenta sinais cada vez mais evidentes de fenómenos extremos.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, o relatório climático de 2025 passou a incluir dados sobre a temperatura da superfície do mar e a variação do nível das águas oceânicas — elementos considerados cruciais para compreender a evolução do clima na região.
Sinais claros de mudança
As novas medições revelam tendências preocupantes: aumento da frequência de noites quentes, elevação generalizada das temperaturas e ocorrência de chuvas intensas em diferentes pontos do território nacional. Estes fenómenos têm vindo a ganhar força nos últimos anos, afetando tanto zonas urbanas como rurais.
Durante as celebrações do Dia Mundial da Meteorologia, o climatologista Isaías Raiva destacou que o país está a entrar numa fase de maior instabilidade climática, marcada por eventos extremos mais recorrentes e difíceis de prever.
Canal de Moçambique sob pressão
Um dos pontos mais sensíveis identificados no relatório é o aquecimento da superfície do mar no Canal de Moçambique. Este fenómeno está diretamente associado ao aumento da intensidade dos ciclones tropicais que atingem o país, elevando o risco de destruição em larga escala.
Paralelamente, a subida gradual do nível do mar começa a representar uma ameaça concreta para comunidades costeiras, com সম্ভíveis impactos na agricultura, habitação e segurança alimentar.
Resposta institucional e novos mecanismos
Face a este cenário, o INAM defende uma resposta urgente baseada em medidas de adaptação e mitigação, sobretudo para proteger as populações mais vulneráveis.
Como parte desse esforço, foi lançada uma nova plataforma digital que visa melhorar o acesso à informação meteorológica e tornar os alertas mais rápidos e eficazes. A iniciativa pretende aproximar os cidadãos dos dados climáticos e reforçar a capacidade de resposta a desastres naturais.
Um alerta para o futuro
O reforço da monitoria climática surge num momento crítico, em que Moçambique se posiciona entre os países mais expostos aos efeitos das mudanças climáticas. Especialistas alertam que, sem ações concretas e contínuas, os impactos poderão agravar-se nos próximos anos.
Mais do que um relatório técnico, os dados agora divulgados funcionam como um aviso claro: o clima está a mudar — e o país terá de acelerar respostas para enfrentar uma realidade cada vez mais desafiante. (Vozafricano)