Um jovem cientista moçambicano está a colocar o país no mapa da inovação global. Alexandre de Fátima Cobre foi selecionado entre os 10 melhores jovens cientistas do mundo com menos de 40 anos, no âmbito de um prestigiado prémio internacional associado à UNESCO, destacando-se pelas suas contribuições na área de Inteligência Artificial aplicada à saúde.
Reconhecimento internacional em plena formação
Segundo informações partilhadas pelo próprio investigador, a distinção surge num momento particularmente simbólico: ainda durante a fase final do seu doutoramento no Brasil, onde desenvolveu soluções inovadoras no uso de IA para descoberta e reposicionamento de fármacos.
“Este reconhecimento é ainda mais significativo porque competi com cientistas com mais de uma década de experiência, enquanto eu ainda concluía o meu PhD”, destacou o cientista, sublinhando o nível elevado da competição internacional.
IA no combate à Covid-19
Entre 2020 e 2021, Cobre ganhou notoriedade ao publicar estudos sobre a Covid-19, utilizando ferramentas de Inteligência Artificial aplicadas a exames médicos de baixo custo. Parte desse trabalho acabou por ser reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como referência no combate à pandemia, reforçando o impacto prático das suas pesquisas.
Trajetória marcada por distinções globais
O percurso do jovem cientista tem sido acompanhado por sucessivos reconhecimentos internacionais. Em fevereiro de 2024, recebeu o visto de talento global do Reino Unido, um estatuto concedido a profissionais altamente qualificados e inovadores, ainda antes de concluir o doutoramento.
Já em 2025, foi distinguido com Menção Honrosa no Prémio CAPES, considerado o maior galardão científico do Brasil, premiando a sua inovação no uso de IA para diagnóstico médico e desenvolvimento de medicamentos.
Da investigação ao empreendedorismo
Atualmente baseado na Inglaterra, Alexandre lidera a startup MozBioMed.AI, uma iniciativa que utiliza Inteligência Artificial para facilitar o acesso a medicamentos, especialmente para populações com menos recursos — incluindo Moçambique.
A plataforma pretende reduzir custos, acelerar diagnósticos e democratizar o acesso a tratamentos, num país onde o sistema de saúde ainda enfrenta desafios estruturais.
Impacto e futuro
A distinção atribuída pela UNESCO não apenas reconhece o talento individual de Alexandre Cobre, mas também levanta uma questão mais ampla: até que ponto Moçambique está preparado para aproveitar e reter os seus talentos científicos?
Num contexto em que muitos jovens qualificados procuram oportunidades no exterior, o caso de Cobre revela tanto o potencial nacional quanto os desafios estruturais que persistem.
O futuro agora coloca uma interrogação importante:
Este reconhecimento será um ponto de viragem para maior investimento em ciência e inovação em Moçambique, ou mais um talento que brilha fora do país? (Produção: Paula e João )
Meus parabens jovem cientista Moçambicano. És um orgulho para nosso país. Que Deus continue abençoando abundantemente