A paralisação prolongada dos profissionais de saúde está a expor uma crise silenciosa no sistema sanitário moçambicano. Sem acordo à vista, aumentam as denúncias de falhas no atendimento e cresce o número de vítimas associado ao período de greve.
A greve dos profissionais de saúde em Moçambique continua sem solução à vista e começa a revelar impactos cada vez mais profundos no funcionamento do sistema nacional de saúde.
A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique confirmou a continuidade da paralisação, alegando ausência de respostas concretas por parte do Governo às principais reivindicações da classe, num impasse que já dura há cerca de três meses.
Em conferência de imprensa realizada na cidade de Maputo, o presidente da associação, Anselmo Muchave, acusou o ministro da Saúde, Ussene Isse, de prestar informações consideradas inconsistentes sobre a real disponibilidade de medicamentos nas unidades sanitárias públicas.
As críticas surgem numa altura em que o próprio Governo já admitiu dificuldades no abastecimento de fármacos. Segundo dados oficiais, o Executivo terá mobilizado cerca de 35 milhões de dólares para aquisição de medicamentos e outros insumos, cujo processo de fornecimento poderá estender-se por até 18 meses, prolongando a pressão sobre o sistema.
Entretanto, os efeitos da greve começam a ser medidos em termos humanos. A APSUSM estima que mais de 1.800 pessoas tenham perdido a vida desde o início da paralisação, apontando o colapso parcial dos serviços como um dos principais factores para o agravamento da situação.
Embora estes números não tenham sido oficialmente validados pelas autoridades, o cenário descrito pelos profissionais levanta preocupações sérias sobre a capacidade de resposta das unidades sanitárias, sobretudo em áreas com maior pressão assistencial.
Fontes do sector indicam que a redução de pessoal, aliada à escassez de medicamentos e consumíveis, está a comprometer o atendimento básico, desde consultas até serviços de emergência, criando um ambiente de elevada vulnerabilidade para os utentes.
A associação reafirma que a suspensão da greve dependerá exclusivamente de avanços concretos nas negociações com o Governo, nomeadamente em matérias ligadas a condições de trabalho, remuneração e funcionamento do sistema de saúde.
Enquanto o impasse persiste, especialistas alertam para o risco de agravamento da crise sanitária, numa altura em que o país enfrenta desafios estruturais no sector da saúde.
Fonte: Declarações da APSUSM.