O governador da província de Nampula, Eduardo Mariamo Abdula, afirmou que um jornalista terá tentado extorquir dinheiro antes de divulgar uma notícia que o acusa de guardar donativos destinados às vítimas de calamidades na sua residência oficial.
Falando em entrevista, o governante explicou que possui mensagens enviadas pelo referido jornalista nas quais este solicitava apoio financeiro. Segundo Abdula, esse tipo de comportamento é incompatível com os princípios e a ética do jornalismo.
Apesar de afirmar que tem provas das mensagens, o governador disse que não pretende torná-las públicas nem retaliar contra o profissional de comunicação.
“Eu podia colocar essas mensagens nas redes sociais, mas não quero prejudicar a pessoa”, declarou.
Abdula também rejeitou as acusações de que teria desviado donativos destinados às populações afectadas por calamidades naturais. O dirigente explicou que os produtos recebidos passam por um processo organizado, sendo primeiro recebidos e empacotados antes de serem distribuídos às comunidades necessitadas, sempre na presença de doadores e parceiros.
Segundo o governador, as acusações que circulam nas redes sociais podem acabar por prejudicar as próprias vítimas, caso levem os doadores a perder confiança e a deixar de contribuir com ajuda humanitária na província.
O governante garantiu que continuará a trabalhar com transparência e a manter contacto directo com a população, defendendo que a sua missão é servir os cidadãos sem qualquer tipo de discriminação política, religiosa ou social.
“Não vou deixar de estar no meio do povo”
Durante a mesma intervenção, Eduardo Mariamo Abdula afirmou que não pretende afastar-se da população por causa do cargo que ocupa. O governador explicou que prefere encontrar-se com cidadãos em locais públicos, como cafés ou hotéis, pois acredita que esses espaços facilitam o diálogo aberto com as pessoas.
De acordo com Abdula, essa proximidade permite compreender melhor os problemas enfrentados pelas comunidades e encontrar soluções mais rápidas para as preocupações apresentadas.
“Eu venho do povo e não vou deixar de estar no meio do povo. É assim que consigo perceber o que as pessoas estão a passar”, afirmou.
O governador acrescentou que frequentemente recebe cidadãos que se aproximam para expor dificuldades ou pedir apoio, defendendo que ouvir directamente a população faz parte da sua forma de governar.
Para o dirigente, o mais importante no exercício da função pública é avaliar os resultados alcançados.
“O que as pessoas devem questionar é se estamos ou não a cumprir aquilo que prometemos à população”, concluiu.