A Gemfields atravessou um dos períodos mais exigentes dos últimos anos, encerrando 2025 com uma redução significativa na produção e forte pressão sobre as receitas, num contexto marcado por desafios operacionais em Moçambique e Zâmbia.
De acordo com informações avançadas pelo portal Mining Weekly, a performance da empresa foi impactada por interrupções nas suas principais operações, com destaque para a Montepuez Ruby Mining (MRM), em Cabo Delgado, e a mina de esmeraldas de Kagem, considerada uma das mais relevantes da companhia no continente africano.
Nos bastidores, fontes ligadas ao sector apontam que os constrangimentos em Montepuez tiveram um efeito particularmente sensível no desempenho global da empresa. Atrasos na entrada plena em funcionamento da nova unidade de processamento — conhecida como PP2 — limitaram a capacidade de produção, sobretudo no segmento de rubis de alta qualidade, que tradicionalmente assegura maior valor no mercado internacional.
Além dos desafios técnicos, a actividade foi também afectada por factores externos difíceis de controlar, como o aumento da mineração ilegal e a variabilidade na qualidade do minério extraído. Estes elementos acabaram por comprometer a regularidade dos leilões, um dos principais canais de receita da empresa.
Mesmo com a nova unidade a iniciar operações em setembro de 2025, o processo de estabilização técnica deverá estender-se até ao primeiro semestre de 2026, atrasando os ganhos esperados com o investimento.
No plano comercial, a Gemfields realizou sete leilões ao longo do ano, arrecadando cerca de 129 milhões de dólares. No entanto, o desempenho ficou aquém das expectativas, num mercado marcado por procura irregular e menor interesse por pedras de qualidade inferior. Em contrapartida, os segmentos premium — sobretudo esmeraldas e rubis de alta qualidade — continuaram a demonstrar resiliência e valorização.
A pressão sobre o fluxo de caixa tornou-se inevitável, apesar das medidas implementadas para controlar custos e manter padrões operacionais elevados. Analistas destacam que a empresa conseguiu evitar um cenário mais crítico graças à disciplina financeira, mas alertam que o equilíbrio permanece frágil.
Outro factor de preocupação vem do cenário geopolítico global. A recente escalada de tensões no Médio Oriente introduz incerteza adicional nos mercados energéticos, com impacto potencial nos custos de produção, especialmente devido à volatilidade do preço do combustível — um elemento central na actividade mineira.
Perante este contexto, a estratégia da empresa para 2026 passa por estabilizar as operações, aumentar progressivamente a capacidade da unidade PP2 e recuperar a previsibilidade dos leilões. A redução do endividamento e o reforço da estrutura de capital surgem como prioridades imediatas, numa tentativa de garantir maior flexibilidade financeira.
Apesar das dificuldades, a empresa projeta uma melhoria nos indicadores financeiros. As estimativas apontam para uma redução expressiva do prejuízo por acção, sinalizando que, embora o ano tenha sido desafiante, existem sinais de recuperação no horizonte.
Para Moçambique, onde a mineração de rubis representa uma importante fonte de receitas e investimento, o desempenho da Gemfields continua a ser acompanhado de perto. A evolução da empresa em 2026 poderá ter implicações directas não apenas no sector extractivo, mas também na dinâmica económica das regiões onde opera. (DE)