A Federação Moçambicana de Empreiteiros (FME) lançou acusações graves contra o Banco Mundial, alegando que a entidade internacional está a permitir a continuação de obras públicas de baixa qualidade no país, ao não divulgar os resultados de investigações relacionadas com irregularidades em contratos financiados pela própria instituição.
A denúncia foi tornada pública em Maputo, onde o presidente da FME, Bento Machaila, criticou duramente o silêncio do braço investigativo do Banco Mundial, conhecido como Integrity Vice Presidency (INT). Segundo o responsável, a falta de transparência está a gerar desconfiança e a alimentar a percepção de impunidade.
Silêncio que levanta suspeitas
O centro da polémica remonta a um concurso público realizado em 2024 para obras na cidade da Matola, inseridas no projecto de mobilidade urbana da Área Metropolitana de Maputo, avaliado em cerca de 250 milhões de dólares.
A FME denunciou irregularidades no processo de adjudicação, envolvendo uma construtora chinesa, e submeteu o caso ao Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC). Apesar disso, passados dois anos, não há resultados públicos da investigação.
Para Bento Machaila, a ausência de respostas por parte do Banco Mundial compromete princípios básicos de transparência e responsabilidade institucional, podendo desencorajar futuras denúncias por parte de organizações e cidadãos.
Impacto directo na população
Enquanto o processo permanece sem conclusões públicas, os efeitos das alegadas falhas já são visíveis no terreno. Estradas degradadas, infra-estruturas vulneráveis e danos recorrentes durante a época chuvosa têm afectado directamente a mobilidade e a qualidade de vida da população da Grande Maputo.
Segundo a FME, a falta de rigor na selecção de empreiteiros e na fiscalização das obras está na origem de construções deficientes, que não resistem às condições climáticas do país.
Pressão sobre as instituições nacionais
Perante o impasse, a federação exige uma posição clara do Banco Mundial e defende que a Procuradoria-Geral da República assuma um papel mais activo na condução do processo, garantindo responsabilização dos envolvidos.
A organização lembra que já tinha solicitado, anteriormente, medidas disciplinares contra a empresa em causa, incluindo a sua suspensão de futuros contratos públicos, devido a alegadas violações graves das normas de construção.
Um teste à credibilidade institucional
O caso coloca em causa não apenas a qualidade das obras públicas, mas também a credibilidade dos mecanismos de supervisão associados a financiamentos internacionais.
Num país onde o investimento em infra-estruturas é visto como essencial para o crescimento económico, a falta de transparência e fiscalização pode comprometer não só recursos financeiros, mas também a confiança dos cidadãos e investidores.
A pressão agora recai sobre o Banco Mundial e as autoridades moçambicanas, num momento em que a exigência por responsabilidade e qualidade nas obras públicas nunca foi tão elevada. ( paula nhampossa e silvia )
1 pensado em “Escândalo em Obras Públicas: Empreiteiros Acusam Banco Mundial de Fechar os Olhos à Má Qualidade em Moçambique”