Enquanto o megaprojecto de gás natural em Afungi retoma gradualmente as actividades, cresce o descontentamento entre empresários locais. Operadores económicos afirmam que continuam afastados das oportunidades geradas pelo investimento energético liderado pela TotalEnergies no norte de Moçambique.
O ambiente empresarial na província de Cabo Delgado volta a ser marcado por críticas de operadores económicos locais que reclamam maior acesso às oportunidades associadas ao projecto de gás natural em Afungi, no distrito de Palma.
Apesar da retoma gradual das actividades do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, empresários da região afirmam que as expectativas criadas em torno da participação das empresas moçambicanas na cadeia de valor continuam longe de se concretizar.
As preocupações foram novamente levantadas durante um seminário sobre conteúdo local realizado esta semana, onde representantes do sector privado alertaram para as dificuldades persistentes enfrentadas pelos operadores económicos da província.
Segundo o presidente da delegação provincial da Confederação das Associações Económicas de Moçambique em Cabo Delgado, Mamudo Irache, vários sectores da economia local começam a sentir os efeitos da falta de integração nas actividades ligadas ao projecto energético.
Entre os sectores mais afectados estão a hotelaria, restauração, transportes e pesca. Empresários relatam uma redução significativa na procura pelos seus serviços, enquanto alguns pescadores que investiram na expansão da produção enfrentam dificuldades para comercializar o pescado.
Para o empresariado local, o impacto económico do megaprojecto deveria ser mais visível nas comunidades da província. Defendem que um verdadeiro efeito multiplicador exige a inclusão de outras localidades próximas, como Mocímboa da Praia e a cidade de Pemba, na dinâmica económica gerada pelo investimento.
Outro obstáculo apontado pelos empresários prende-se com a falta de informação sobre as empresas subcontratadas que operam no projecto. Muitos operadores afirmam não saber com quem contactar para estabelecer parcerias ou apresentar propostas de prestação de serviços.
Para o sector privado, esta realidade levanta dúvidas sobre a efectiva implementação das políticas de conteúdo local, criadas justamente para garantir maior participação de empresas nacionais nos grandes projectos extractivos.
Diante deste cenário, empresários defendem mais diálogo entre o consórcio do projecto, as empresas subcontratadas e os operadores económicos da província, argumentando que uma maior transparência e abertura poderão ajudar a distribuir de forma mais equilibrada os benefícios do maior investimento energético em curso no país. (Paula nhampossa e Silvia )