A Cervejas de Moçambique (CDM) está a consolidar um modelo que vai além da indústria cervejeira: a transformação do milho nacional num motor real de crescimento agrícola e económico em Moçambique.
De acordo com dados avançados pela Agência de Informação de Moçambique, a empresa adquiriu cerca de 33,5 mil toneladas de milho na última campanha agrária, um volume significativo que reforça a confiança no potencial produtivo interno e reduz, de forma estratégica, a dependência de importações.
Agricultura ligada à indústria: um modelo em expansão
A iniciativa da CDM representa um dos exemplos mais consistentes de integração entre agricultura e indústria no país. Ao garantir mercado para a produção local, a empresa cria estabilidade para milhares de pequenos produtores, incentivando o aumento da produção e a profissionalização do sector.
No distrito de Báruè, província de Manica — uma das principais zonas agrícolas do país — o tema voltou ao centro do debate durante um encontro que reuniu agricultores, produtores de sementes e vários intervenientes da cadeia de valor.
Para Bruno Tembe, administrador executivo da empresa, o sucesso da estratégia está directamente ligado à proximidade com os produtores: não se trata apenas de comprar, mas de acompanhar, orientar e construir uma cadeia sustentável.
Impala como símbolo de produção local
No centro desta estratégia está a marca Impala, cuja produção depende do milho cultivado em território nacional. A aposta vai além da matéria-prima: representa uma mudança estrutural na forma como a indústria pode impulsionar a agricultura.
A lógica é clara — quanto maior a procura industrial, maior o incentivo para os agricultores produzirem mais e melhor.
Assistência técnica e produtividade: os próximos desafios
Apesar dos avanços, o desafio agora passa pela produtividade. A CDM reconhece que o crescimento sustentável exige investimento contínuo em assistência técnica, formação e adopção de boas práticas agrícolas.
Nesse contexto, a parceria com a Empresa de Comercialização Agrícola tem sido determinante. Segundo Lázaro Salizani, o modelo permite acompanhar o agricultor em todas as fases — da produção à comercialização — garantindo não apenas rendimento, mas também qualidade.
Além disso, encontros técnicos e demonstrações de sementes têm servido como plataformas de aprendizagem, permitindo aos produtores melhorar o desempenho das suas culturas.
Expansão e impacto nas comunidades rurais
Actualmente, só na província de Manica, a CDM trabalha com cerca de 16 mil produtores, número que tende a crescer à medida que aumenta a procura por milho para fins industriais.
A expansão desta rede tem impacto directo nas comunidades rurais, onde a agricultura é a principal fonte de rendimento. Com mercado garantido, os agricultores ganham previsibilidade, algo raro no sector.
Para Bruno Patreque, o papel do Governo tem sido crucial como facilitador, assegurando condições para que esta ligação entre produtores e indústria funcione de forma equilibrada e sustentável.
Redução de importações e visão industrial
Outro ponto estratégico da CDM passa pela redução da dependência externa, não apenas na matéria-prima, mas também em insumos industriais, como embalagens.
A visão da empresa aponta para uma cadeia produtiva cada vez mais nacionalizada, fortalecendo a economia interna e reduzindo a saída de divisas.
Um modelo que pode redefinir o sector agrícola
A parceria entre a Cervejas de Moçambique e a Empresa de Comercialização Agrícola, iniciada em 2012, mostra que é possível alinhar interesses empresariais com desenvolvimento rural.
Num país onde a agricultura continua a ser um dos pilares da economia, iniciativas como esta demonstram que a industrialização pode começar no campo — e que o crescimento económico sustentável passa, inevitavelmente, pela valorização da produção nacional. (vozafricano)