A barragem de Chipembe, no distrito de Balama, Cabo Delgado, atingiu esta semana o seu limite máximo de armazenamento, acumulando mais de 25.630.000 metros cúbicos de água. A situação levou a Administração Regional de Águas do Norte (ARA-Norte) a aumentar as descargas da represa, numa medida preventiva que já começa a afetar a circulação entre algumas comunidades locais.
Segundo Micas Bulo, diretor da Divisão de Gestão das Bacias do Messalo e Montepuez, o aumento do volume de água é consequência das chuvas intensas registadas nas últimas semanas, combinadas com o fluxo contínuo de afluentes provenientes das zonas a montante, incluindo rios que nascem na província do Niassa. “A pressão sobre a infra-estrutura atingiu níveis críticos, tornando necessário aumentar as descargas controladas para garantir a segurança da barragem”, explicou.
A ARA-Norte detalhou que a vazão passou de 0,46 metros cúbicos por segundo para cerca de 1,92 metros cúbicos por segundo, através do descarregador de emergência da barragem. A medida visa reduzir o risco de ruptura e proteger a integridade da infraestrutura, mas já tem impactos diretos nas populações vizinhas.
Entre as comunidades afetadas, destacam-se as aldeias de Magaia e 7 de Setembro, onde a circulação de pessoas e mercadorias foi temporariamente condicionada devido ao aumento do caudal descarregado. Líderes comunitários alertam que, caso as chuvas persistam, poderá ser necessário reforçar ações de contingência para evitar isolamento prolongado ou danos às áreas agrícolas próximas.
Especialistas em gestão de recursos hídricos reforçam que a situação evidencia a importância de investimentos contínuos em manutenção e monitorização das barragens, sobretudo em regiões sujeitas a intensos períodos de precipitação.
A ARA-Norte assegura que mantém vigilância constante sobre a barragem e promete atualização diária sobre a evolução do nível de água e a segurança das comunidades ._notícias