Kiev – A Ucrânia voltou a ser palco de uma ofensiva militar russa nesta terça-feira, com ataques aéreos e de drones que deixaram pelo menos três mortos, incluindo uma criança de quatro anos, e provocaram apagões generalizados em diversas regiões do país. A escalada ocorre poucos dias após uma rodada de negociações de paz em Miami, liderada pelos Estados Unidos, que buscava reduzir quase quatro anos de conflito.
Segundo autoridades ucranianas, os ataques tiveram como foco principal as infraestruturas de energia nas regiões ocidentais, afetando gravemente as áreas de Rivne, Ternopil, Khmelnytskyi, Lviv, Chernihiv e Odessa. A primeira-ministra Yulia Svyrydenko destacou que a destruição das instalações elétricas tem impacto direto na vida cotidiana, deixando milhares de famílias sem energia elétrica e comprometendo serviços essenciais, como hospitais, centros de comunicação e sistemas de abastecimento de água.
“A Rússia atacou alvos civis e instalações críticas de energia em múltiplas regiões. A estratégia é clara: pressionar Kiev e causar caos entre a população civil, desestabilizando a infraestrutura básica do país”, disse Svyrydenko em coletiva de imprensa.
Impacto humano e vítimas civis
Além da criança de quatro anos morta em Zhytomyr, outros dois civis perderam a vida em Khmelnytskyi e nos arredores de Kiev. Cinco pessoas ficaram feridas na capital. Organizações de defesa de direitos humanos alertam para o risco crescente de crise humanitária, considerando a proximidade das festividades de Natal e a exposição de famílias a temperaturas baixas e cortes prolongados de eletricidade.
Danos à infraestrutura energética
O Ministério da Energia da Ucrânia informou que quase 100% dos consumidores nas regiões ocidentais estão sem eletricidade. Instalações de energia de grande porte foram severamente danificadas, incluindo linhas de transmissão, subestações e usinas termelétricas. A empresa privada DTEK confirmou que uma de suas principais usinas sofreu danos significativos, comprometendo o fornecimento de energia para milhões de pessoas.
O impacto da ofensiva também se estendeu a centros estratégicos de logística e transporte, prejudicando o abastecimento de combustíveis e a movimentação de produtos essenciais. Analistas alertam que, se os ataques continuarem, haverá um efeito cascata que poderá afetar a segurança alimentar e a economia ucraniana nos próximos meses.
Resposta militar e defesa aérea
A Força Aérea da Ucrânia afirmou que 635 drones e 38 mísseis russos foram lançados durante os ataques, dos quais a maioria foi interceptada pelas defesas ucranianas. Em território russo, ataques com drones atingiram instalações industriais em Stavropol e provocaram incêndio em um oleoduto na região de Krasnodar, que já foi controlado pelas autoridades.
A ofensiva levou a Polônia, vizinha da Ucrânia e membro da OTAN, a mobilizar aeronaves para proteger seu espaço aéreo. Autoridades polonesas afirmaram que a medida busca prevenir que os ataques russos atinjam o território polonês, especialmente após relatos de disparos de drones próximos à fronteira.
Contexto político e negociações de paz
As negociações em Miami, realizadas no último fim de semana, contaram com representantes americanos, ucranianos e europeus, além de contatos paralelos com diplomatas russos. Moscou apresentou exigências que incluíam a cessão de partes da região de Donbas e restrições significativas à capacidade militar da Ucrânia antes de considerar um cessar-fogo, demandas rejeitadas veementemente por Kiev.
O presidente Volodymyr Zelenskiy denunciou a ofensiva russa como um ataque deliberado às negociações e à população civil. “Putin ainda não consegue aceitar que precisa parar de matar. Isso significa que o mundo não está pressionando a Rússia o suficiente. Agora é a hora de reagir”, declarou em sua conta no X.
Repercussão internacional
Organizações internacionais e governos europeus condenaram os ataques, ressaltando que atingem diretamente civis e infraestrutura crítica. O secretário-geral da ONU, António Guterres, em comunicado, destacou que “ataques contra civis e sistemas essenciais de energia são inaceitáveis e violam o direito internacional humanitário”.
Especialistas em segurança alertam que os ataques visam não apenas desestabilizar a Ucrânia internamente, mas também pressionar os países ocidentais, testando a reação da OTAN e da União Europeia em termos de apoio militar e diplomático.
Com as festividades de fim de ano se aproximando, a ofensiva russa intensifica a tensão na Ucrânia e demonstra que a guerra, que já dura quase quatro anos, ainda está longe de um desfecho pacífico. A combinação de perdas humanas, danos a infraestruturas críticas e interrupções no fornecimento de energia cria um cenário alarmante, exigindo atenção urgente da comunidade internacional e respostas coordenadas para mitigar os impactos humanitários e estratégicos da ofensiva.
A Neuters destacou um pouco esaa materia : https://www.reuters.com/world/russia-launches-air-attack-kyiv-ukraines-military-says-2025-12-23/