O Conselho Económico e Social (CES) lançou um alerta firme ao Executivo angolano, defendendo a adopção de medidas imediatas e coordenadas para travar o agravamento dos desafios sociais no país, com destaque para a pobreza, o sistema de saúde e a qualidade da educação.
A recomendação surge após uma reunião estratégica realizada no Palácio Presidencial, orientada pelo Presidente João Lourenço, num momento em que o crescimento populacional e as desigualdades regionais começam a exercer uma pressão cada vez mais visível sobre os serviços públicos.
Pressão demográfica exige resposta rápida
De acordo com o CES, Angola enfrenta um cenário crítico: o rápido crescimento demográfico está a sobrecarregar sectores essenciais, especialmente nas zonas rurais e periféricas, onde o acesso a serviços básicos continua limitado.
Para responder a este desafio, o órgão propõe a criação de uma task-force nacional — uma equipa técnica com actuação imediata e focada — capaz de acelerar a implementação de políticas públicas e garantir resultados concretos no terreno.
Segundo Wanderley Ribeiro, coordenador-adjunto para a área social, esta estrutura deverá actuar com rapidez e eficiência, evitando a burocracia que historicamente tem atrasado soluções estruturais no país.
Saúde: sistema primário no centro das prioridades
No sector da saúde, o CES foi directo: é urgente reforçar a rede primária, considerada a base do sistema de atendimento à população.
O conselho aponta que, sem um investimento sério em unidades de saúde locais, formação de profissionais e expansão de camas hospitalares, será impossível garantir assistência eficaz, sobretudo nas comunidades mais vulneráveis.
A estratégia passa por equilibrar o sistema, reduzindo a dependência da rede terciária (hospitais centrais) e fortalecendo os serviços de proximidade, capazes de responder rapidamente às necessidades básicas da população.
Educação: desigualdades regionais preocupam
No campo da educação, os dados do Censo 2024 revelam um cenário preocupante, especialmente nas zonas rurais, onde persistem lacunas significativas no acesso ao ensino de qualidade.
O CES defende investimentos urgentes em infra-estruturas escolares, bem como na formação e valorização de professores, como forma de reduzir as assimetrias regionais e elevar o padrão educacional no país.
A melhoria do sistema educativo é vista como um pilar essencial para combater a pobreza estrutural e preparar as novas gerações para um mercado cada vez mais exigente.
Pobreza e seca exigem intervenção focalizada
Outro ponto crítico destacado pelo conselho é a necessidade de intensificar investimentos em regiões afectadas por fenómenos climáticos extremos, como a seca na província do Cunene.
O CES sublinha que estas zonas exigem políticas diferenciadas, com foco em segurança alimentar, apoio social e desenvolvimento sustentável, evitando o agravamento das condições de vida das populações.
Além disso, reconhece o papel das igrejas e organizações comunitárias, que continuam a ser actores fundamentais no apoio social em áreas remotas.
Criptomoedas entram no debate estratégico
Durante o encontro, o CES também abordou o crescimento das criptomoedas em Angola — uma actividade ainda proibida, mas que tem vindo a expandir-se de forma silenciosa.
O órgão alertou para os impactos negativos, especialmente no consumo energético e nas perdas para o Estado, defendendo uma análise mais profunda sobre os riscos e oportunidades deste fenómeno emergente.
Um aviso claro ao Executivo
A mensagem do Conselho Económico e Social é inequívoca: sem acções rápidas, coordenadas e sustentáveis, Angola poderá enfrentar um agravamento significativo das desigualdades sociais.
O desafio agora recai sobre o Governo liderado por João Lourenço, que terá de transformar recomendações em políticas concretas — num momento em que o tempo, mais do que nunca, se tornou um factor decisivo.
Fonte: Forbes África Lusófona