Um novo investimento internacional acaba de colocar a cidade de Quelimane no centro de uma estratégia ambiciosa para enfrentar os impactos das mudanças climáticas em Moçambique. Os governos da Alemanha e da Holanda confirmaram a disponibilização de 20 milhões de euros — o equivalente a cerca de 1,5 mil milhões de meticais — para financiar um programa de desenvolvimento urbano resiliente na província da Zambézia.
O financiamento surge num momento em que Quelimane enfrenta desafios recorrentes ligados a inundações, drenagem insuficiente e crescimento urbano desordenado. O projecto agora anunciado pretende inverter este cenário, combinando infraestruturas modernas com soluções ecológicas, numa abordagem que integra engenharia urbana com práticas sustentáveis baseadas na natureza.
Fontes ligadas ao programa indicam que a iniciativa faz parte de uma visão mais ampla conhecida como “ZamVisão”, um plano estratégico que procura preparar a província para fenómenos climáticos extremos, cada vez mais frequentes na região centro do país. Nos últimos anos, a cidade tem registado episódios de cheias que afectam bairros inteiros, destruindo habitações, infraestruturas e meios de subsistência.
Numa declaração conjunta, as representações diplomáticas dos dois países destacaram que o projecto resulta de uma cooperação consolidada entre a Alemanha e a Holanda, tanto na Europa como em Moçambique. Segundo o documento, o objectivo é garantir que Quelimane continue a ser uma cidade segura, habitável e economicamente activa, mesmo perante os desafios ambientais.
A implementação do fundo será oficialmente lançada durante a visita dos embaixadores Elsbeth Akkerman e Ronald Münch à província. A agenda inclui encontros com autoridades locais, organizações da sociedade civil — com destaque para grupos liderados por mulheres — e representantes do sector privado, com foco em áreas estratégicas como a produção de arroz.
Nos bastidores, especialistas apontam que este tipo de investimento internacional reflecte uma crescente preocupação global com a vulnerabilidade das cidades costeiras africanas. Quelimane, pela sua localização geográfica e fragilidades estruturais, tem sido frequentemente identificada como uma das zonas mais expostas a eventos climáticos extremos.
Além deste novo pacote financeiro, tanto a Alemanha como a Holanda já mantêm presença activa em Moçambique, apoiando sectores como energia, agricultura, água, saúde e desenvolvimento do sector privado. No entanto, este novo projecto destaca-se pela sua dimensão e pela abordagem integrada, que alia crescimento urbano à resiliência climática.
Para muitos analistas, o sucesso desta iniciativa poderá servir de modelo para outras cidades moçambicanas que enfrentam problemas semelhantes. Enquanto isso, a expectativa cresce entre os residentes de Quelimane, que há anos convivem com as consequências das cheias e aguardam soluções duradouras que vão além das respostas de emergência. (Vozafricano)