A narrativa de que Rosita teria vivido sob forte protecção e apoio do Estado voltou a ser colocada em causa, após novas revelações feitas em televisão nacional. Apesar da projecção internacional que marcou o seu nascimento, a vida da jovem terá sido marcada por dificuldades económicas profundas, obrigando-a a procurar meios próprios de sobrevivência longe da sua terra natal, em Gaza.
Durante o programa “6 às 9”, da TV Sucesso, o jornalista e comentador Alexandre Chiúre afirmou que Rosita trabalhou numa empresa de segurança privada em Maputo, numa tentativa de garantir o seu sustento. A revelação surge como um duro contraponto às declarações oficiais do Governo de Chibuto, que insiste em dizer que sempre prestou apoio contínuo à jovem até à sua morte.
Segundo Chiúre, o simples facto de Rosita ter abandonado Chibuto para procurar trabalho na capital demonstra que o alegado apoio governamental não se materializou na prática. “Se houvesse esse acompanhamento, não haveria necessidade de sair de Gaza para Maputo para trabalhar como agente de segurança privada”, sustentou o jornalista em directo.
A polémica intensificou-se após a TV Sucesso exibir imagens da casa modesta onde Rosita vivia, desafiando a ideia de uma vida confortável frequentemente associada à sua história. Para Chiúre, o cenário exposto levanta sérias dúvidas sobre a veracidade das versões oficiais e reforça a sensação de abandono institucional.
O comentador foi ainda mais longe ao questionar a alegada matrícula de Rosita numa universidade, apontada por fontes governamentais como prova de apoio estatal. “Afinal, quem mandava: Rosita ou o Governo?”, questionou, sugerindo que muitas decisões terão recaído exclusivamente sobre a jovem e a sua família.
Outro ponto sensível levantado no programa prende-se com os custos médicos enfrentados pela família. De acordo com Chiúre, os familiares terão desembolsado cerca de 20 mil meticais para a compra de sangue, num momento crítico, levantando a pergunta que ecoa no debate público: onde estava o Estado quando o apoio era mais necessário?
O caso reacende o debate nacional sobre a responsabilidade do Estado para com cidadãos cuja vida foi, desde o início, exposta ao olhar público, mas que, nos bastidores, podem ter vivido longe da protecção prometida. A denúncia lança pressão sobre as autoridades para apresentarem esclarecimentos concretos e documentados, num caso que continua a comover e indignar a opinião pública moçambicana.