O clima de tensão interna na Renamo ganhou novos contornos esta terça-feira com a suspensão de António Pedro Muchanga da qualidade de membro do partido, numa decisão tomada pelo Conselho Jurisdicional, em Maputo. A medida surge dias depois de Muchanga se ter associado a antigos combatentes e desmobilizados que exigem a saída do actual presidente da formação política, Ossufo Momade.
De acordo com o Conselho Jurisdicional, a decisão foi motivada por violações graves dos estatutos partidários, incluindo actos de desobediência deliberada às estruturas internas e declarações públicas consideradas ofensivas à direcção do partido. A informação foi avançada por fontes do órgão disciplinar da Renamo, segundo informou O País.
Entre os fundamentos da sanção está ainda a alegada instrumentalização de antigos guerrilheiros e desmobilizados para ocupação e utilização indevida de sedes do partido, bem como a promoção de acções vistas como lesivas à imagem e coesão interna da Renamo.
Com a suspensão agora em vigor, António Muchanga fica impedido de falar em nome do partido, utilizar símbolos oficiais, concorrer ou votar para cargos internos durante o período da sanção. O Conselho Jurisdicional advertiu que o incumprimento destas medidas poderá resultar na expulsão definitiva do militante.
A decisão ocorre num momento sensível para a Renamo, que enfrenta pressões internas ligadas à liderança, ao futuro político do partido e à relação com os seus antigos combatentes, num contexto de reconfiguração do espaço político nacional e de preparação para os próximos ciclos eleitorais.