Moçambique deu mais um passo decisivo na sua ambição de se afirmar como polo energético regional, num momento em que vários países africanos procuram acelerar investimentos em energias limpas para sustentar crescimento económico e industrialização. O Reino Unido anunciou um apoio financeiro inicial de 500 mil dólares para reforçar a assistência técnica ao desenvolvimento do projeto hidroelétrico de Mphanda Nkuwa, considerado uma das maiores apostas energéticas do país.
O apoio resulta de um memorando de entendimento firmado entre o Gabinete de Implementação do Projeto Mphanda Nkuwa (GMNK) e a representação diplomática britânica, na sequência da visita a Maputo do Enviado Comercial do Reino Unido, o parlamentar Calvin Bailey. A iniciativa insere-se num quadro mais amplo de cooperação internacional focada na transição energética e no fortalecimento institucional de economias africanas emergentes.

Os recursos financeiros serão operacionalizados através do Instituto Tony Blair para a Mudança Global, que irá prestar assistência técnica especializada ao GMNK durante um período de seis meses. O objetivo central é reforçar a capacidade institucional e técnica do projeto, numa fase crítica de estruturação, num contexto africano em que grandes infraestruturas energéticas frequentemente enfrentam atrasos ligados a planeamento, governação e financiamento.
O empreendimento de Mphanda Nkuwa é visto como estratégico não apenas para Moçambique, mas também para a África Austral, ao integrar a visão regional de expansão da oferta energética sustentável. A futura central deverá contar com uma capacidade instalada de cerca de 1.500 megawatts, com entrada em operação prevista para 2031, reforçando a segurança energética nacional e abrindo espaço para exportação de eletricidade.

Além da barragem, o projeto prevê a construção de uma linha de transmissão de alta tensão com mais de 1.300 quilómetros, ligando a província de Tete, no centro do país, à cidade de Maputo, no sul. Esta infraestrutura é considerada crucial para reduzir assimetrias regionais e apoiar a industrialização, um desafio recorrente em vários países africanos ricos em recursos naturais, mas com limitações logísticas.
O Governo moçambicano já autorizou a participação das empresas estatais Electricidade de Moçambique (EDM) e Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), com até 15% do capital social cada, num projeto cujo custo total está estimado entre 6 e 7 mil milhões de dólares. A estrutura acionista mista reflete uma tendência crescente em África de combinar capital público, privado e apoio internacional para viabilizar megaprojetos energéticos.
Com este reforço técnico e político, Moçambique consolida Mphanda Nkuwa como peça-chave da sua estratégia energética e como símbolo das novas parcerias África–Europa focadas em desenvolvimento sustentável.
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