A Confederação das Associações Empresariais de Moçambique (CTA) lançou um alerta severo ao governo sobre o risco iminente de paralisação da fundição de alumínio Mozal, localizada nos arredores de Maputo, destacando que o eventual encerramento da operação poderia gerar consequências sociais e econômicas profundas e de longo prazo para o país.
Álvaro Massingue, presidente da CTA, enfatizou que a Mozal é um ativo estratégico não apenas para a economia nacional, mas também para a cadeia de empresas que dependem diretamente de suas operações. “Evitar o fechamento da Mozal deve ser um objetivo comum. Se a fundição parar, dezenas de empresas fornecedoras enfrentarão falência, milhares de empregos diretos e indiretos serão perdidos, e o efeito dominó será devastador para a economia de Moçambique”, alertou Massingue.

O principal ponto de tensão é o contrato de fornecimento de eletricidade, essencial para a operação da fundição, que consome aproximadamente 950 megawatts de energia. O contrato atual expira em março de 2026, e negociações para um novo acordo ainda não avançaram. Enquanto a Mozal propõe pagar 6,4 centavos de dólar por quilowatt-hora, o governo exige pelo menos 6,7 centavos para cobrir os custos de geração, considerando que qualquer valor inferior representaria um subsídio anual de 25 milhões de dólares à empresa australiana, acionista majoritária da fundição.
Diante da indefinição, a Mozal anunciou que entrará em um cronograma de manutenção básica, evitando o fechamento imediato, mas reduzindo drasticamente a produção. Samuel Samo Gudo, presidente da empresa, indicou que a operação plena poderá levar até 12 meses para ser retomada, um período crítico que poderá afetar centenas de trabalhadores e fornecedores dependentes da fundição

O impacto social já começa a se fazer sentir. Empresas fornecedoras, como a C and S Engineering, relataram cortes significativos no quadro de funcionários — 40% dos empregados já foram demitidos devido à redução das encomendas da Mozal. “Reinventarmo-nos não será fácil. A confiança e a estabilidade que a Mozal proporcionava aos fornecedores estão ameaçadas”, afirmou Feliciano Augusto, gerente da empresa.
Para a CTA, a Mozal é um pilar central da industrialização de Moçambique, e seu fechamento representaria um retrocesso significativo. A confederação sugere uma prorrogação temporária do contrato de energia por seis a doze meses, criando espaço para negociações mais amplas e a construção de um acordo sustentável que mantenha empregos, produção e fornecedores ativos.
O fechamento da fundição também ameaça o Parque Industrial de Beluluane, criado especificamente para dar suporte à cadeia produtiva da Mozal. Sem a fundição em operação, o parque corre risco de desativação gradual, comprometendo investimentos e décadas de esforços de desenvolvimento industrial.
Especialistas destacam que o impasse entre governo e South32 coloca Moçambique diante de um dilema delicado: equilibrar a sustentabilidade fiscal com a manutenção de um ativo estratégico para a economia. A Mozal, que historicamente mantém pagamentos pontuais e confiáveis a fornecedores, representa confiança e estabilidade para milhares de empresas menores que dependem de seus contratos.
O tempo é um fator crítico. Cada dia sem solução aprofunda o risco de desindustrialização, perda de empregos e enfraquecimento da confiança no setor empresarial nacional. Para o governo, negociar um acordo viável é urgente, não apenas para salvar uma empresa, mas para proteger toda uma rede econômica que mantém milhares de moçambicanos empregados e contribui significativamente para a economia do país.